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Depois do Universo

Estrelas culpadas

(Depois do Universo, BRA, 2022)
Nota  
  • Gênero: Romance
  • Direção: Diego Freitas
  • Roteiro: Diego Freitas, Ana Reber
  • Elenco: Giulia Be, Henrique Zaga, João Miguel, Othon Bastos, Léo Bahia, Rita Assemany, Viviane Araújo, Isabel Fillardis, Denise Del Vecchio
  • Duração: 122 minutos

A Netflix tem produzido filmes como Depois do Universo a granel, em esquema de pelo menos um por mês, vindos de diferentes partes do globo, da Itália aos Estados Unidos, passando pela França e a Espanha. Bem, chegou a nossa vez – produção 100% nacional já com enorme sucesso, o filme segue essa fórmula já testada mensalmente, com charme e simpatia. Na verdade, muito mais charme e simpatia que grande parte dos títulos citados sem citar, que soam ainda mais genéricos que aqui, porque todos parecem ter saído do mesmo balaio. Não é como se essa estreia fosse um roteiro absolutamente original e cheio de camadas; não, e o que vale é o filme ser assumido nesse lugar de dar ao público a medida exata do que se quer. 

A ideia é original do diretor Diego Freitas, que bebe de inúmeras fontes recentes que são claramente reconhecíveis, do seriado The Resident ao indefectível A Culpa é das Estrelas, sem esquecer de A Cinco Passos de Você. Dessa mistura altamente comunicativa entre si, o que sai não é uma bagunça sem personalidade, por incrível que pareça. O público pode esperar uma produção bem feita, que entende seu lugar no audiovisual brasileiro, ou seja, uma ideia de entretenimento honesto seguindo um caminho já testado. Dado o sucesso que já é uma realidade, podemos entender que o filme foi aprovado e que parece dar uma chance a essa produção rasteira da Netflix, aqui transformada em superprodução de cuidados perceptíveis. 

Freitas é um curta metragista com alguns títulos no currículo que está em seu segundo longa. O primeiro, O Segredo de Davi, é um suspense psicológico que a própria Netflix exibe com sucesso, mas que não teve uma passagem nos cinemas mais marcante. Esse Depois do Universo é um aprimoramento de seu trabalho como realizador, que parece avançar pelos rumos certos. O filme anterior me parecia mais pretensioso, com uma ideia muito clara do que queria fazer, que extrapolava a realização para chegar em um lugar desacertado. Esse novo é uma produção consciente de sua voz e de onde quer chegar, em comunicação direta que se alcança até com certa facilidade. 

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Produção cuidadosa, com efeitos especiais e trilha sonora cheia de clássicos de artistas como Cássia Eller e Lulu Santos, até nesse quesito Depois do Universo parece superior aos seus congêneres produzidos para a Netflix. Aqui, temos aquelas mesmas histórias de sempre, cujos apontamentos conseguimos fazer com alguma antecipação ao filme, para provar ao público que, de fato, ele está acompanhando algo que já vimos. Não importa muito, caso você não seja enganado, como aqui; com bom ritmo (mas não tão boa montagem), e um roteiro funcional para todos os seus personagens, o filme flui muito bem. Rapidamente, criamos vínculos com vários personagens, e não apenas Gabriel e Nina, e esse é um mérito coletivo, em criar seus personagens e também escalar corretamente.

O elenco é um achado e tudo funciona muito bem, até por Henrique Zaga e Giulia Be se darem tão bem. Luminosos, jovens, bonitos e com um certo charme e talento, é um casal que não se encontra com frequência. Sua história é comprada rapidamente, mas a ajuda dos coadjuvantes é fundamental. Léo Bahia e Rita Assemany especialmente conduzem a narrativa de maneira muito facultada, rios de talento que possuem. Há um desperdício na figura de Denise Del Vecchio, e as escolhas de João Miguel surgem como preguiçosas até determinado momento. O coletivo, no entanto, é bastante diverso e talentoso, garantindo mais interesse ao filme do que ele já apresenta. 

Não tente encontrar em Depois do Universo um tratamento diferente do que você imaginaria. Se você tentar fazer um exercício de imaginação assistindo ao filme, é capaz de acertar os passos seguintes com alguma facilidade. Mas isso não diminui os méritos do filme, e a direção de Freitas é bem o que se espera, porém não é algo estéril a título de produção. Direção de arte caprichada, fotografia bacana de Kauê Zili (de Volume Morto) e principalmente uma trilha muito bonita com direito a canção-título inspirada, Depois do Universo é exatamente o que você espera. Ainda bem.

Um grande momento

O último diálogo entre avô e neta

Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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2 Comentários
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Cecilia Barroso
Cecilia Barroso
08/11/2022 20:50

Concordo com a Mafalda. Que filme fraco! Um episódio alongado e ainda mais ridículo e brega (sim, isso é possível) de The Resident.

Ainda que tenham alguma simpatia, os personagens não são aproveitados como deveriam e tudo é muito superficial. Aquela coisa bem pasteurizada, uma colagem de tantas outras coisas já vistas e que nem sempre estão bem costuradas.

E, gente, parece bobagem, mas não é. É um detalhe que demonstra o descaso. Instrumentos desafiam muito com o tempo… qualquer pesquisa básica poderia mostrar isso.

Mafalda Cunha
Mafalda Cunha
06/11/2022 07:12

Depois do universo.
O pior filme que vi ate á data.
Uma perca de tempo.

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