- Gênero: Ficção
- Direção: Blake Rice
- Roteiro: Victoria Ratermanis, Blake Rice
- Elenco: Jim Cummings, Victoria Ratermanis, Dawnnie Mercado
- Duração: 14 minutos
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Muitas comédias românticas se concretizam quando duas pessoas finalmente vão para a cama juntas. DISC começa na manhã seguinte. Alex acorda em um quarto de hotel depois de uma transa casual durante uma conferência e descobre que o disco menstrual que utilizava ficou preso. O que deveria ser uma despedida rápida se transforma em uma convivência forçada, constrangedora e inesperadamente íntima. A partir dessa premissa simples e bastante incomum, Blake Winston Rice constrói um curta que encontra no constrangimento compartilhado seu humor.
A situação é absurda, mas o filme demonstra inteligência ao não transformá-la apenas em uma sequência de humilhações. Não que elas não estejam ali. Cada nova tentativa de resolver o problema aumenta a exposição física e emocional dos personagens, aproximando duas pessoas que, em circunstâncias normais, jamais voltariam a se encontrar. O riso nasce da maneira como ambos tentam lidar com ele, equilibrando vergonha, gentileza e desespero.
A maneira como o curta lida com a intimidade também é interessante. O sexo, que costuma funcionar como ponto de chegada em tantas histórias românticas, aqui já aconteceu antes mesmo de a narrativa começar. O que interessa é tudo aquilo que vem depois, quando desaparece a sedução e os personagens passam a existir diante um do outro em uma condição mais vulnerável. Entre conversas constrangedoras, tentativas fracassadas e soluções improvisadas, DISC vai revelando afinidades que dificilmente surgiriam em outras circunstâncias.
Blake Winston Rice compreende que o corpo não é apenas fonte de desejo, mas também de desconfortos, limitações e imprevistos, e o curta trata disso com naturalidade, sem transformar a experiência feminina em tabu nem em objeto de escárnio. A escolha permite que a situação mantenha sua força cômica sem perder a humanidade dos personagens.
Boa parte do equilíbrio vem das atuações de Victoria Ratermanis e Jim Cummings. Ela interpreta Alex com uma combinação precisa de vulnerabilidade e firmeza, enquanto Cummings explora sua conhecida habilidade para personagens socialmente desajeitados sem reduzir Carey a uma caricatura. A química entre os dois sustenta o filme e faz com que o espectador permaneça investido em uma situação que poderia facilmente se esgotar na própria premissa.
DISC encontra espaço para falar sobre vergonha, sexualidade e intimidade sem abrir mão da leveza, entendendo que poucas coisas aproximam tanto duas pessoas quanto a necessidade de enfrentar juntas uma situação impossível. Entre pânico, constrangimento e algumas tentativas desastrosas de solução, surge uma conexão genuína, construída justamente quando já não resta espaço para qualquer tipo de pose.
Um grande momento
Batem na porta


