(Dunkirk, GBR/HOL/FRA/EUA, 2017)
Guerra
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Fionn Whitehead, Damien Bonnard, Aneurin Barnard, Barry Keoghan. Mark Rylance, Tom Glynn-Carney, Tom Hardy, Jack Lowden, Bobby Lockwood, Will Attenborough, Kenneth Branagh, James D’Arcy, Cillian Murphy, Harry Styles
Roteiro: Christopher Nolan
Duração: 106 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

O resgate de Dunquerque foi uma manobra militar bastante conhecida da Segunda Guerra Mundial. Tropas aliadas estavam cercadas na região francesa e a única saída possível seria pelo mar. A operação é tema de Dunkirk, longa dirigido por Christopher Nolan, que chega hoje aos cinemas.

Para contar a história, o diretor britânico a divide em três linhas temporais próximas, acompanhando o mesmo resgate por ângulos diferentes, em plots distintos. Reconhecidamente habilidoso, Nolan cria cenas impressionantes e consegue causar a suspensão que só quem manipula bem a tensão consegue criar, mas o exagero e o descontrole, a vontade de deixar tudo sempre ainda mais grandioso e apoteótico, derrubam o filme.

A primeira sequência, ao apresentar um dos protagonistas, deixa uma esperança de que as coisas possam ser diferentes no filme. Com a ação bem distribuída, o suspense ali construído faz com que se deixe de lado as ressalvas prévias – Nolan tem uma filmografia que, definitivamente, divide opiniões – e envolva-se com o que está sendo mostrado. A angústia aqui despertada leva até a primeira grande cena do filme, o bombardeio na praia.

Neste mesmo momento é possível perceber o quão habilidoso o diretor é com a criação da imagem, com a construção do clima, mas, ao mesmo tempo, o quanto é desmedido e exagerado e como, mesmo criando algo incrível, parece não acreditar no potencial do material que tem em mãos, precisando, a todo tempo, reafirmá-lo. Nessas reiterações, Dunkirk torna-se um filme cansativo, que parece muito mais longo do que realmente é, e tem suas falhas de concepção, roteiro e montagem evidenciadas.

A maior delas, sem dúvida alguma, está na exagerada e onipresente trilha sonora de Hans Zimmer. Além de acompanhar todo e qualquer momento do filme, ela aparece aqui como a reiteração mais evidente. Não crendo no potencial das imagens e dos sons, Nolan quer que todos os sentimentos sejam direcionados para um lugar onde chegariam naturalmente, mas de maneira forçada e até grosseira. É como se ele ultrapassasse a barreira da manipulação, chegando a um dispositivo ainda mais agressivo.

Além disso, o apego à estética faz com que falte a devida atenção ao conteúdo da trama. Há muito mais interesse na conexão das linhas temporais, por exemplo, do que no desenvolvimento dos personagens. Sobram momentos rasos, como os eventos no barco de Dawson ou no barco encalhado com os highlanders, o que dá ao filme, como um todo, uma sensação de vazio, como se não houvesse nada por trás de tudo aquilo.

Mas nem isso torna o aquilo menos impressionante. Há momentos realmente inspirados, como o modo como o extracampo é trabalhado, a composição das cenas, e sequências aéreas e subaquáticas muito bem filmadas. Mesmo num gênero onde já se experimentou de quase tudo, Dunkirk é um filme de guerra original inegavelmente. E chega para confirmar todas as qualidades de Christopher Nolan como diretor, mas reafirmando junto todas as ressalvas e problemas.

Quanto à comparação com Stanley Kubrick, presente desde as primeiras críticas do filme em Hollywood, falta muito ainda. Muito mesmo.

Um Grande Momento:
O bombardeio na praia.

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