Crítica | Streaming

Entre Realidades

(Horse Girl, EUA, 2020)
Suspense
Direção: Jeff Baena
Elenco: Alison Brie, Molly Shannon, Goldenite, Stella Chestnut, John Ortiz, Lauren Weedman, Hazel Armenante, Robin Tunney, Matthew Gray Gubler, Debby Ryan, Jake Picking, John Reynolds
Roteiro: Jeff Baena, Alison Brie
Duração: 103 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Não é raro filmes que buscam o suspense dentro da confirmação ou não de ideias paranoides. Aquilo que se vê é real ou não passa de um delírio esquizofrênico? Entre Realidades, longa disponível na Netflix que chegou diretamente da última edição de Sundance, vai por esse mesmo caminho.

Dirigido por Jeff Baena, produzido pelos irmãos Duplass e estrelado por Alison Brie, o longa conta a história de uma jovem solitária que começa a acreditar que está sendo vítima de uma conspiração que envolve alienígenas, espionagem e sua falecida avó.

Sarah, a protagonista, apresenta sinais claros de esquizofrenia, com traços hereditários e sintomas da doença psicótica: ideias paranoides (perseguição), místicas (abdução) e religiosas (reencarnação); alterações sensoperceptivas e a falta de autocrítica ou consciência sobre a doença. Além de pensar ouvir o futuro, ela, por exemplo, fala de sua realidade e de seus planos para o date como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Ainda assim, o filme constrói imageticamente essa realidade e faz com que o espectador duvide de suas certezas, por mais óbvias que elas sejam. Quando a fantasia se realiza visualmente traz com ela a impressão de que talvez Sarah seja alguém que está percebendo algo que mais ninguém percebe.

É uma boa ideia e o jogo entre verdade e ilusão é sempre interessante, mas falta um equilíbrio. Do roteiro às atuações, é como se algo estivesse desconectado. Não há muita elaboração na ligação das ações, algumas explicações e personagens são aleatórios. Embora muito envolvida com o projeto, Brie também não tem pulso para levar sua Sarah por todo o filme. A atriz tem alguns bons momentos, mas se perde muitas vezes.

Porém, apesar dos problemas, há algo bem interessante em Entre Realidades, a construção visual dos delírios. Com elementos básicos, como paredes pintadas e tecidos, e aparentemente sem gastar muito dinheiro, as gêmeas Ashley e Megan Fenton tornam concreta a realidade da jovem. A cena da fuga dentro da mente ou o roubo da loja são o que o longa tem de melhor.

Entre Realidades tem uma aura de complexidade, mas é um filme até muito básico e preciso no retrato da doença psicótica. Assim como ela, confunde realidades e entrega essa confusão ao espectador, o que é bom. Pena que não tem a mesma precisão na realização.

Um Grande Momento:
O roubo do tecido.

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IMDb

Assistir na Netflix

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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