Crítica | Cinema

Escape Room 2 : Tensão Máxima

O parque de diversões emperrou

(Escape Room: Tournament of Champions, EUA, RSA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Ação
  • Direção: Adam Robitel
  • Roteiro: Will Honley, Maria Melnik, Daniel Tuch, Oren Uziel, Christine Lavaf, Fritz Böhm
  • Elenco: Taylor Russell, Logan Miller, Deborah Ann Woll, Thomas Cocquerel, Holland Roden, Indya Moore, Carlito Olivero
  • Duração: 88 minutos

E pensar que apenas a pandemia Covid-19 impediu esse Escape Room 2: Tensão Máxima de estrear ano passado, apenas um ano depois do lançamento do criativo original. Esse segundo, apesar de continuar dirigido por Adam Robitel, perdeu o frescor para adicionar à mistura uma trama familiar bizarra e justificar o que era das coisas mais divertidas no primeiro: o absoluto descompromisso com a verossimilhança e qualquer amarra futura. Ok, o primeiro já se encerra com essa porta escancarada para uma continuação, e o sucesso garantiu que esse novo filme existisse em tempo recorde; será que um tempo maior para pensar em sua trama não era melhor?

Os dois sobreviventes do original, Zooey e Ben, estão de volta e o filme nem tenta esconder que pretende criar uma antologia por trás da produção, uma mitificação que seja maior do que a despretensão tão simpática que o primeiro trazia. O que poderia ser mais simples do que catar uma dúzia de estranhos, prendê-los em um lugar e forçá-los a descobrir charadas para escapar de salas de jogos (como tanto tem aparecido em shoppings), mas cuja derrota significaria também perder a própria vida? Nisso consistia o primeiro filme, uma sucessão de celas que precisavam ser desvendadas para não se transformar em tumbas particulares.

Dvulgação

Com roteiro escrito a DOZE MÃOS, onde nem o criador original se aventurou a voltar, o filme tenta nos informar como se formou a mente diabólica por trás dos jogos mortais (não, não é uma piada inocente citar outra série no texto), então dá-lhe prólogo na linha previously on Escape Room + um “era uma vez”, que remete a 2003, quando uma “pobre família rica” é desfeita pelas ideias sádicas que lhe formam. Restarão pai e filha na construção do brinquedo fatal, que agora criarão o tal “torneio dos campeões” que o subtítulo original apresenta. Pena que nem tudo fique necessariamente claro nessa continuação, nem relacionado à gênese do jogo, muito mais ao “futuro” dos participantes atuais.

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Lá pelas tantas, percebemos que o filme queria apenas recriar a atmosfera do primeiro, que era criar os cenários para o espectador se divertir com o videogame jogado por outras pessoas – como já acontece, aqui entre nós. A direção de arte de Edward Thomas continua impecável, mais uma vez o grande motivo para assistir à produção; requintada e repleta de detalhes, uma visita aos sets do filme deve ser uma literal visita a um parque de diversões, com cada objeto sendo um colírio aos olhos e um convite à fantasia. A diferença é que o original tudo parecia ainda mais criativo, e a diversão lá era non stop, e isso aqui passa longe de se repetir.

Divulgação

Trata-se de um entretenimento produzido exclusivamente para alcançar um elo com esse inesperado sucesso de dois anos atrás e capitalizar em cima do mesmo, porém os seis roteiristas não conseguiram imprimir na tela nem metade da experiência alcançada pelo anterior, parecendo que as ideias bacanas duraram apenas um episódio – ou estavam todas na cabeça de seu criador, Bragi Schut. Além disso, ao não vasculhar o passado de seus personagens antecipadamente, o filme faz com que não nos importemos com quem vive ou morre, só com Ben e Zooey. E nem a história familiar consegue surpreender muito, porque não há preocupação do roteiro com ela também.

Escape Room 2: Tensão Máxima, por incrível que pareça, é uma produção mais divertida para quem pegou o bonde andando do que para os iniciados. É fácil imaginar que, caindo de pára-quedas nessa absurda produção, o espectador perca a conexão com os protagonistas mas embarque no clima de montanha-russa que o filme procura ter. Mas se nem consegue reproduzir a emoção na sensação de inércia que o espectador sente ao torcer por um campeonato de games, no futuro até quem começar por esse, terá a consciência de que a diversão era muito maior se tivéssemos menos fios a conectar. E um grande salve a Isabelle Fuhrmann, a eterna A Órfã.

Um grande momento
O banco

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Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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