estanteFIC Brasília

Fatal

(Elegy, EUA, 2008)

Drama

Direção: Isabel Coixet

Elenco: Ben Kingsley, Penélope Cruz, Dennis Hopper, Patricia Clarkson, Peter Sarsgaard, Deborah Harry

Roteiro: Philip Roth (romance), Nicholas Meyer

Duração: 108 min.

Minha nota: 7/10

Ter o Ben Kingsley no elenco de qualquer filme é uma coisa que sempre chama atenção. Desde que conheci seu trabalho com Gandhi, tento acompanhar sua trajetória cinematográfica. Fatal estar listado entre os filmes selecionados para o FIC, foi quase um presente para mim.

Na tela vemos pela primeira vez David Kepesh, uma figura conhecida e marcante da literatura, presente em três livros do escritor Philip Roth: The Breast, The Professor of Desire e The Dying Animal. Foi este último o adaptado por Isabel Coixet e a escolha de Ben Kinsgley para o papel principal não poderia ser mais acertada.

Kepesh é um professor universitário que está envelhecendo e, em sua vida afetiva, nunca conseguiu aceitar qualquer tipo de compromisso. Sua indecisão e instabilidade pioram quando ele conhece Consuela, uma bela aluna cubana, e os dois começam uma relação que transita entre a posse e o desejo.

Nicholas Meyer, em sua segunda adaptação de um livro de Roth, faz um roteiro enxuto e consegue demonstrar muitos dos delicados e confusos sentimentos dos seres humanos. Principalmente quanto à velhice.

E tudo vai bem. Um roteiro interessante, uma diretora sensível e um elenco excelente, com Kingsley, um inspirado Dennis Hopper e uma bela Patricia Clarkson. Penélepe Cruz também não está mal, mas está aquela coisinha de sempre.

Alguma coisa começa a incomodar quando o longa vai chegando ao final. Talvez optar por um dos aspectos do livro, sem adaptá-lo como um todo, faria do filme uma obra de arte inesquecível. Se o filme terminasse depois da constatação da solidão madura, seria perfeito, mas não teria sido fiel ao livro. Talvez a solução fosse se concentrar mais na relação Kapesh e Consuela, deixando as percepções de vida do professor em segundo plano, o que também não seria fiel.

Então, pode ser que tenha faltado um pouco de coragem da diretora para encarar que seu filme ficaria melhor diferente do livro e assumir um “inspirado na obra”.

Mas o longa não é ruim por causa disso, pelo contrário é muito bom. Daqueles que a gente acompanha feliz por estar ali e indica depois que acaba. Uma bela e completa divagação sobre a velhice e as relações humanas.

Uma boa pedida quando a idéia é ver filmes com conteúdo, que fazem pensar.

Próximas sessões no festival: 07/11, às 21h30; 08/11, às 21h20.

Um Grande Momento

Na quadra de squash.



Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Berlim: Urso de Ouro

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FIC Brasília 2008

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

Um Comentário

  1. Oiee!

    Gustavo – Ele é ótimo, mas Cruz é daquele tipo de atriz que precisa de diretor, neste filme, por exemplo, deixa a desejar. Os coadjuvantes são ótimos. Tomara que passe por aí!

    Marcel – Pois é. É uma coisa totalmente inusitada mesmo…

    Kau – Não temo como ser muito maior mesmo. Gostei muito de Coixet em minha vida sem mim, mas ela ficou com medo de ousar neste longa.

    Alyson – Pode deixar! Estou adorando. Só quero ver como vai ser quando acabar.

    Pedro – Não vi nenhuma previsão sobre data de estréia. Será que vai direto para dvd?

    Vinícius – Pois é. Se ela tivesse ousado mais um pouco, seria um filmão. Mas, como nós dois achamos, é bom!

    Renata – É aquela velha história de adaptação. O diretor sempre fica com medo de mudar a obra e perder o sentido. Se o filme acabasse naquela hora ia ser um dos melhores sobre o tema.

    Beijocas a todos!!

  2. Concordo com você (apesar de não ter pensado nisso enquanto assistia o filme): seria bem mais interessante se não tivesse aquela parte final! Mas mesmo assim gostei muito! Recomendo! Bjs

  3. Dei a mesma cotação para filme e acho que o grande problema foi a falta de ousadia da diretora, mas no geral é um bom cinema mesmo, totalmente recomendável. Abs!

  4. É verdade! Essa é a maior nota para “Fatal” que eu vi. Que inveja de você, Cecilia..rs. Queria também estar acompanhado tudo, continue vendo e nos trazendo informações.

    Grande beijo!

  5. Esta foi a maior nota que vi para este longa, Cecília. Uma pena, pois Ben é um extraordinário ator e Penélope tem me surpreendido cada vez mais.

    Isabel Coixet é uma diretora interessante que já me surpreendeu com “Minha Vida Sem Mim” e com o seu excelente curta em “Paris, Te Amo”.

    Bjos.

  6. Estou com muita vontade de assistir esse filme, gosto muito da Penelope e do Ben Kingsley, mas nunca pensei neles atuando juntos e ainda mais como um casal!

    nossa a verificaçao de palavras pede pra eu digitar “marces” por uma letra nao pediu meu nome!!! kkkkk

  7. Kingsley é mesmo um ator que sempre chama a atenção e Cruz está cada vez mais talentosa; Hopper e Clarkson devem ser ótimos coadjuvantes.
    Duvido que passe aqui na minha cidade, mas se passar, talvez eu veja!

    Cumps.

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