estanteSP Terror

Halloween – O Início

(Halloween, EUA, 2007)

O filme escolhido para a abertura do I SP Terror foi a refilmagem de um dos maiores sucessos do cinema slash do final dos anos 70. Halloween – o ínício é assinado pelo ex-vocalista da banda White Zombie, Rob Zombie, e, apesar do nome, mostra a já conhecida história do psicopata Michael Meyers, isolado ainda criança da sociedade após assassinar a irmã adolescente.

Claro que, mesmo sendo uma refilmagem, o roteiro tomou algumas liberdades e, além de criar alguns personagens, também fez muitas alterações na história. Mas o resultado é o mesmo: muito sangue, grito e facadas para todos os lados.

Depois de dois filmes, A Casa dos 1000 Corpos e Rejeitados pelo Diabo, Zombie conquistou alguns fãs do gênero e, até por isso, acreditou que faria de Halloween – O Início sua obra-prima, mas não chegou nem no meio do caminho.

O elenco é fraquíssimo desde a primeira infância de Meyers e a insistência do diretor em colocar sua mulher, Sheri Moon, em todos os trabalhos que faz é péssima. Nem mesmo a presença de Malcolm McDowell melhora a situação e as melhores atuações são mesmo as de Sydnie Pitzer, Myla Pitzer e Stella Altman, que vivem a bebê Boo.

As cenas, independente de serem curtas ou longas, têm muito mais ângulos do que o necessário e o efeito não faz nenhuma diferença, demonstra falhas de eixo e continuidade e ainda cansa.

O roteiro é muito mal amarrado e as explicações para os adereços e motivos do filme são fracas e forçadas. Algumas opções são bem infelizes, como o clip com imagens intercaladas do pequeno Meyers na noite das bruxas e sua mãe fazendo striptease ao som de Love Hurts do Nazareth.

Em meio a tanta bagunça, fica bem clara a longa ligação do diretor com os filmes do gênero. A gratuidade da violência está presente, tem mulheres nuas e peitinho para todo lado, sexo e sustos, muito sustos. Cenas como a do posto e o desfecho do filme, ainda que não tenham dado em um relacionamento mais sério, marcam bem os flertes com o trash e o gore.

Algumas sequências têm até um bom potencial, como quando tudo fica congelado depois dos primeiros crimes para a transição de tempo, mas ficam perdidas em meio a tantas experimentações.

Justiça seja feita, a trilha do filme é muito interessante. A ligação de Zombie com a música acabou ajudando neste ponto e a eficiente localização temporal dos espectadores é toda feita através de músicas populares em suas épocas. Os efeitos sonoros também são bem interessantes.

Um Grande Momento

A sirene no asilo.

Links

Horror
Direção: Rob Zombie
Elenco: Malcolm McDowell, Scout Taylor-Compton, Tyler Mane, Daeg Faerch, Sheri Moon Zombie, Willliam Forsythe, Danielle Harris, Kristina Klebe, Danny Trejo, Dee Wallace, Pat Skipper
Roteiro: John Carpenter e Debra Hill (roteiro de 1978), Rob Zombie
Duração: 109 min.
Minha nota: 2/10

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

7 Comentários

  1. "A gratuidade da violência está presente, tem mulheres nuas e peitinho para todo lado, sexo e sustos, muito sustos. Cenas como a do posto e o desfecho do filme, ainda que não tenham dado em um relacionamento mais sério, marcam bem os flertes com o trash e o gore."

    E de novo desculpe me meter, mas antes de criticar um gênero é legal pelo menos saber o que você vai falar. Essas características são do slasher. Gore e trash é outra coisa. Halloween do Rob Zombie esta longe de ser gore. bye bye.

  2. Comparar o original ao remake é sempre um erro. Mas não consigo perceber da onde vem a falta de critério de críticos de cinema. Se não gosta de um gênero, não critica, vocês são formadores de opinião.
    Halloween do Rob Zombie é um bom filme, não é perfeito, mas está longe de ser tão ruim. É um filme com muito mais conteúdo que outros do gênero. Falar de atuação em um filme desses é complicado, ninguém sabe o que se passa na cabeça do diretor que faz um remake de um slasher dos anos 80. O filme peca quando falta violência, podia realmente ser mais violento. Nota 0 pra sua critica(com todo respeito).

  3. Entendo não ter gostado desse filme, mas eu curti bastante. Pelo menos vc não comparou com o filme original, como se ele fosse uma maravilha e esse uma merda.
    hehehehehehe

  4. Olá Cecília. Embora não tenha desgostado tanto, tb achei o filme ruim. Principalmente se comparado com Rejeitados Pelo Diabo. Fazer o quê? O Rob Zombie é bizarro mesmo… abs.

  5. Quero ver. Gostei bastante de "Rejeitados pelo Diabo" e nem tanto de "A casa dos 1000 corpos".
    Também não sou um profundo fã do Halloween original, mas por comentários que li por aí, de fãs, o filme é uma heresia.

  6. Bom, tá bem claro que esse não é o seu gênero favorito, mas Zombie tentou mesclar seu estilo que desde o White Zombie esteticamente já o seguia e que foi marcado de vez em Rejeitados pelo Diabo com a forma gratuita que os filmes de terror são construídos até hoje. O resultado é irregular, creio que no início, onde o estilo de Zombie impera, o filme funciona bem, mas qnd Myers vira o assassino louco, tudo parece voltar ao velho cliché de antes, mas 2 é pegar pesado! hehehe

  7. Eu vi a lista do SP Terror e posso lhe dizer: Confira "Deixa Ela Entrar". Sensacional

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