Crítica | Festival

Magnética

(Magnética, BRA, 2020)
Nota  
  • Gênero: Animação
  • Direção: Marco Arruda
  • Roteiro: Marco Arruda
  • Elenco: Ricardo Assoni, Marisa Rotemberg, Gabriel Marinho
  • Duração: 16 minutos

Animação gaúcha da Otto Desenhos Animados, “Magnética” é marcada pelos fortes tons da psicodelia tão predominante em filmes como “Planeta Fantástico”, de René Laloux, em parceria com o ilustrador Roland Topor ou mesmo “Uma Cilada para Roger Rabbit”, da Disney.

O cineasta Marco Arruda se vale então de vários traços e técnicas distintas do desenho 2D para intercalar a história dos moradores de uma cidade que é ameaçada por um conquistador invasor intergaláctico na forma de holograma, que usa óculos de natação. O personagem antagonista é, digamos, parte em live action (como ocorre com alguns personagens em Roger Rabbit) enquanto que um índio meio caipora e uma dançarina de cabaré vão conduzindo a história e perpassando por outros personagens. Com uma trilha de jazz que vai acompanhando as sinuosidades da animação, Magnética captura a sensorialidade de quem assiste.

Para além da lombra, as técnicas empregadas são fascinantes e ajudam a explicitar o que transmuta nos outros personagens a partir da invasão holográfica, provocando transformações sensoriais e profundas na ‘“ente em impossível magnésia”, como o que ocorre com a personagem de Robin Wright em Congresso Futurista, de Ari Folman. Ainda bem que curta, por todos os estímulos ópticos acentuados que provoca, Magnética é uma viagem inescapável, quase que verbalmente ininteligível mas que imprime uma forte imagem visual no cérebro e pode despertar a glândula pineal – supostamente responsável pelo estado de consciência superior da psique humana.

Um grande momento:

Índio rolando pelo asfalto

[24ª Mostra de Cinema de Tiradentes]

Lorenna Montenegro

Lorenna Montenegro é crítica de cinema, roteirista, jornalista cultural e produtora de conteúdo. É uma Elvira, o Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e membro da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA). Cursou Produção Audiovisual e ministra oficinas e cursos sobre crítica, história e estética do cinema.
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