Crítica | Cinema

Mortal Kombat

Esperando a próxima partida

(Mortal Kombat, EUA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Ação
  • Direção: Simon McQuoid
  • Roteiro: Greg Russo, Dave Callaham
  • Elenco: Lewis Tan, Jessica McNamee, Josh Lawson, Joe Taslim, Mehcad Brooks, Matilda Kimber, Laura Brent, Tadanobu Asano, Hiroyuki Sanada, Chin Han, Ludi Lin, Max Huang, Sisi Stringer, Mel Jarnson
  • Duração: 110 minutos

Em 1992, surgia no universo dos games Mortal Kombat. Em 2D, o jogo de combate com elementos fantásticos causava filas nas máquinas arcade e juntava a galera para jogar nos consoles em casa. Com o tempo, a tecnologia e o sucesso, ele foi ganhando novas versões; aprimorando os movimentos dos personagens, que não paravam de aumentar, e criando histórias paralelas com quadrinhos, séries e filmes. A produção homônima que chega hoje aos cinemas, portanto, encontra uma relação consolidada entre os fãs e aquele universo. Como agravante, compete diretamente com uma indústria que não para de impressionar cada vez mais com os avanços gráficos e tem justamente em MK — e em seus fatalities — uma referência.

Mas o longa do estreante Simon McQuoid não deixa nada a desejar. Como uma boa adaptação de game, sabe ser tudo aquilo que precisa: é rápido, fácil, vazio, pegado na ação e divertidamente brega. O roteiro do também estreante Greg Rosso, escalado para os projetos Death Note 2 e Space Invaders (???), e de Dave Callaham, que assinou filmes como Os Mercenários, Godzilla, Mulher-Maravilha 1984 e o ainda não-lançado Sang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, não se preocupa em fazer muito além do básico. Uma história de vingança ancestral, a trama canônica e motivadores básicos: traição, amor, amizade.

Mortal Kombat (2021)

O fato de ter personagens familiares é positivo e Mortal Kombat não esconde a intenção de ser fan-service, dando ênfase a cada aparição, além de ser inteligente ao não tentar determinar sua trama por um deles. Embora o torneio e a eterna disputa entre Shang Tsung e sua Exoterra e Raiden e sua Terra estejam lá, quem liga todos os pontos é um personagem criado exclusivamente para o filme, Cole Young. Ao não eleger alguém, o roteiro abre espaço para equilibrar as apresentações e, ao mesmo tempo, diminui possíveis frustrações com caminhos e opções.

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A artificialidade é o tom escolhido. As atuações são tão sintéticas quanto os personagens. Por exemplo, quando se apresenta, o Liu Kang do Ludi Lin (o Power Ranger Preto do filme), parece ter acabado de sair de dentro de uma máquina empoeirada das lojas de jogos dos anos 1990. Cabelo, roupa, jeito de falar, tudo é tão antinatural que é difícil não se divertir. O mesmo acontece com alguns movimentos, falas absurdas meio deslocadas — Mortal Kombat é um jogo conhecido também pelos bordões — e todo o exagero gore que está num lugar onde só esse jogo poderia colocar.

Mortal Kombat (2021)

Entregue e assumido, o filme também tem os seus momentos de “se levar a sério” com as coreografias de luta de Chan Griffin, que buscam os movimentos no jogo e tentam encaixar, nem sempre com sucesso, os golpes especiais dos personagens. Há cenas que dão muito certo, como o primeiro confronto de Kano e Sonya, e outras que se complicam, Mileena está ali e é só isso mesmo. Mas é o tipo de seriedade que não muda nada do que o filme quer ser. Pipoca pura para fãs de videogame. Deste videogame.

E olha que as primeiras cenas até tentam enganar. Ainda que a Insuficiência esteja em pontos específicos, tudo é tão elaborado, bucólico e bonito, tão não Mortal Kombat, que o primeiro pensamento é “isso vai dar certo?”. Nada que não assuma a sua real identidade assim que o deus do trovão aparece para dar uma olhada na situação e as coisas se coloquem em seu devido lugar a partir daí. Um daqueles filmes para não pensar em absolutamente nada e se divertir lembrando das muitas horas tentando finalizar o bonequinho de alguém e não largar o controle, até porque o jogo não vai acabar aqui.

Um grande momento
Sonya e Kano no caminho

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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