Crítica | Streaming

Morte no Funeral

(Death at a Funeral , USA/ALE/ING, 2007)

Direção: Frank Oz

Elenco: Matthew MacFadyen, Keeley Hawes, Andy Nyman, Ewen Bremner, Daisy Donovan, Alan Tudyk, Peter Dinklage

Roteiro: Dean Craig

Duração: 90 min.

A minha história com o ingresso desse filme já foi uma prévia de que seria uma comédia daquelas que faz a gente morrer de rir. Vou contar um resumo desta história antes de falar do filme…

Numa tarde qualquer, estava em casa escrevendo, como sempre, e recebi uma ligação. Pelo número vi que era um telefone da Nextel. Do outro lado alguém dizia ser da Tim e me comunicava que eu acabara de ganhar um ingresso para assistir a pré-estréia de um filme. Eu estava tão concentrada no que estava fazendo e tão feliz por ter ganho alguma coisa que nem percebi que seria muito estranho a minha operadora não ter os meus dados, já que recebo minhas contas pelo correio. Não pensei duas vezes e passei o meu endereço completo. Quando desliguei o telefone, notei que tudo aquilo estava meio estranho, mas continuei a escrever.

Alguns minutos depois, o meu interfone toca. Atendi e alguém do outro lado diz:

– Eu queria falar com a Maria.
– Não tem ninguém aqui com esse nome!
– Não, não… Eu sei… Ela mora no primeiro andar, mas o interfone dela não está funcionando.
– Ah tá!

De novo, sem pensar, abri a portaria. Depois, lembrei da ligação e juntei as duas coisas. Tinha acabado de dar o meu endereço para alguém que eu não fazia idéia de quem era e, pior, abrira a porta para essa pessoa chegar até mim.

A sensação foi de total desespero. Tranquei a porta com tudo que tinha lá (pega-ladrão, chave tetra e trinco) e resolvi avisar a situação para alguém.

– Bruna, acho que estão vindo me seqüestrar.
– O que?
– Alguém me ligou, disse que eu tinha ganhado convites para um filme e eu dei meu endereço. Agora tocaram aqui e eu abri a porta.
– Meu Deus, você perdeu o juízo?
– Eu estava escrevendo.
– Tranca a porta de ferro e não abre pra ninguém.
– Mas pra trancar a porta de ferro eu tenho que abrir a porta e a pessoa já está aqui dentro do prédio.
– Então fica aí no quarto.
– …
– Como é que você cai num golpe batido desses?
– É… Eu não sei…
– Não sabe que não pode dar o endereço pra ninguém?
– Sei…
– Qual era o filme que eles falaram?
– “Funeral de Morte”.
– Você não desconfiou desse nome? Espera que eu vou ver aqui na internet… Pô, esse filme nem existe. Você não podia ter consultado aí?
– É… Eu sei…

Logo depois, desliguei o telefone e a campainha tocou. Fiquei em silêncio e a pessoa foi embora. Depois disso, toda família ficou sabendo do acontecido e eu fiquei completamente paranóica. Trancava a porta de ferro e a porta e morria de medo de sair sozinha de casa.

Dias depois, recebo outra ligação. Desta vez de um número da Tim.

– Olá, dona Cecilia! O motoqueiro foi entregar o seu convite e você não estava em casa.
– Ah é… Não estou mesmo. Ele pode deixar com o porteiro, não é?
– Vou falar para ele deixar lá então.
– Ok.

Quando cheguei em casa, no mesmo dia, o porteiro não estava sabendo de nada. Fiquei mais preocupada ainda, claro.

No dia seguinte, mal tinha acordado, quando o interfone toca.
– Eu vim entregar o convite.
– Só um instante…

Corri para olha na janela e vi que tinha um homem com uma roupa amarela e azul na portaria. Parecia uniforme, mas ainda assim fiquei na dúvida. Resolvi deixar subir.

Quando a campainha tocou abri uma fresta da porta, ainda protegida pela grade, e esperei o homem falar alguma coisa. Mas ele não disse nada…

– Pois não?
– O convite.
– Cadê?

Ele me mostrou um envelope. Eu aproximei a cabeça para olhar, mas não tinha nada que me comprovasse que ali dentro estavam os convites. Enfiei a mão pela grade para pegar e ele me entregou.

– A senhora tem que assinar o caderno.

O caderno era enorme, não daria para assinar com a grade fechada.

– Só um instante…

Tive que amassar o envelope todo para que ele passasse pela grade. Dentro dele estavam mesmo dois convites para a pré-estréia do filme “Morte no Funeral” e não “Funeral de Morte”, como eu havia dito. Fiquei tão aliviada ao ler aqueles convites e assinei o caderno. Logo depois telefonei pra todo mundo contando que não seria mais seqüestrada e que o filme existia de verdade.

O filme é tão divertido quanto o acontecido. Seguindo a linha das comédias inglesas, onde imperam o humor negro e as piadas inteligentes, o roteiro conquista pelo inusitado.

Enquanto o irmão famoso não chega dos Estados Unidos, o caçula de uma família cuida do enterro do pai. Vários personagens hilários estão presentes e o humor começa desde a chegada do caixão na casa.

No meio do velório, um segredo do pai é revelado e os irmãos têm que resolver o problema sem que sua mãe tome conhecimento. Chantagens, brigas e até remédios adulterados dão um toque todo especial ao filme.

Oz acerta mais uma vez na direção de um elenco espetacular. O roteiro é divertidíssimo e muito constante.

Infelizmente, não é o tipo de cinema que atraia um grande público e, por isso, só fica em cartaz em salas alternativas. Quando vai para salas comerciais, fica tão pouco tempo que o público não tem a chance de conhecer algo diferente do tradicional enlatado estadunidense.

O filme é muito engraçado. Diverte e relaxa, sem nenhuma preocupação em lições de moral ou em passar alguma mensagem. Vale a pena sempre!

Um Grande Momento

O remédio adulterado é responsável pelos melhores momentos.


Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

Um Comentário

  1. Não consegui parar de rir até agora…
    Você devia escrever mais coisas assim, acho que tem futuro!
    Abraços

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