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Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta

Ouvindo o grito

(Moxie, EUA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Comédia
  • Direção: Amy Poehler
  • Roteiro: Tamara Chestna, Dylan Meyer
  • Elenco: Hadley Robinson, Lauren Tsai, Alycia Pascual-Pena, Nico Hiraga, Sabrina Haskett, Patrick Schwarzenegger, Sydney Park, Anjelika Washington, Emily Hopper, Josie Totah, Amy Poehler, Ike Barinholtz, Marcia Gay Harden, Josephine Langford, Joshua Walker, Clark Gregg
  • Duração: 111 minutos

Um dos piores pesadelos, comum e recorrente em pessoas de várias idades e culturas, é o de estar em situação de perigo, tentar gritar e não conseguir emitir qualquer som. É assim que Amy Poehler nos apresenta o universo Vivian e nos insere em seu universo adolescente. Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta usa de todos os elementos para lá de conhecidos dos filmes de high school americanos: a garota CDF e sua melhor amiga, o babaca que assedia todas e todos, o pessoal do time de futebol, as cheerleaders. Longe daquele ambiente, a relação com a mãe e o primeiro amor com o colega que tinha passado despercebido até então.

Por trás de tudo e diferenciando a produção, Moxie tem um objetivo claro de falar sobre o feminismo e não esconde isso. Seja no texto, nas ações e naquilo que resgata, a questão da mulher em um ambiente patriarcal e como elemento de transformação, individual e coletivo, é o que move o filme. O tom é o juvenil, o que confere ao texto um ar didático e um tanto distanciado da dinâmica jovem. Diferentemente de filmes que hoje povoam este universo e vêm carregados de referências gráficas, Poehler opta pelo mais tradicional. 

Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta

A opção faz sentido quando se pensa que o objeto que dá nome ao filme é um fanzine, e o distanciamento da linguagem traz um respiro ao gênero nos dias de hoje. Pena que falte equilíbrio ao roteiro de Tamara Chestna e Dylan Meyer. Adaptado do livro de Jennifer Mathieu, precisa se apressar e, pior do que superficial na abordagem de certos personagens, é leviano ao tratar de temas complexos, como a trama paralela que envolve o relacionamento anterior daquele que representa o patriarcado naquele universo, Mitchell, vivido por Patrick Schwarzenegger.

Vivian (Hadley Robinson, de Adoráveis Mulheres), a protagonista, consegue ter mais atenção, claro, mas é circundada por personagens que parecem estar ali apenas para possibilitar seu caminhar na jornada feminista: Claudia (Lauren Tsai, da série Legião) traz a questão social;  Lucy (Alycia Pascual-Pena, da série Saved By The Bell), a força da ruptura; Lisa (Amy Poehler), o exemplo do passado; e a direto Shelly (Marcia Gay Harden), o status quo. Aliás, há algo bem intrigante no roteiro de Moxie. Por que trocar o diretor da escola, um homem, pai do vilão e “bulinizador”, por uma mulher? Talvez o reforçar da imagem de que “há muitas mulheres que pensam exatamente como os homens apenas mantenha as coisas exatamente como são”, reforçando estereótipos e questões que deveriam ser superadas, mas um passo de cada vez.

Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta

Se há erros no roteiro, Poehler tenta resolver a questão com uma direção simpática, dando bastante espaço a seu elenco juvenil. As meninas têm bons momentos de descontração e Pascual-Pena, em sua estreia no cinema, rouba a cena com sua postura firme. Porém, falta um pouco de viço ao filme. Embora seja um filme adolescente, cheio de descobertas e hormônios, há um certo olhar maduro demais para a história. Mesmo que queiram ser diferentes, cenas como o primeiro encontro de Seth (Nico Hiraga) e Viv, a revelação, ou até mesmo as interações entre a jovem e a mãe — essa ideia de dirigir e atuar! — são filmadas de forma quadrada.

Mas, por trás de tudo, há carisma e, além disso, representação e contexto. Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta é um filme que empolga por sua mensagem, por apresentar que o passado é importante e que a luta não deve cessar nunca, que a união é fundamental para que qualquer objetivo seja alcançado. É importante que meninas e adolescentes do mundo todo, de todas as idades, raças, classes e credos vejam que elas não estão sozinhas, porque se o machismo é para todas, o feminismo também é. É mais fácil gritar quando sabemos que o nosso grito será ouvido. E juntas somos muito mais fortes!

Um grande momento
Mangas vermelhas

Ver “Moxie: Quando as Garotas vão à Luta” na Netflix

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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