Crítica | Outras metragens

My Dear Boy

Amor antecipado

(My Dear Boy, EUA, 2022)
  • Gênero: Ficção
  • Direção: Leaf Lieber
  • Roteiro: Leaf Lieber
  • Elenco: Juan Cortes, Tyler Givens
  • Duração: 5 minutos

A carência elabora universos, a ansiedade dá força a toda a impossibilidade fantasiosa. Quando se trata de relacionamento, o encontro dos dois sentimentos é o que há de mais seguro para o fracasso e a decepção. Todos sabemos disso, mas todos caimos na mesma armadilha. É aquele traço pisciano escondido que, por mais capricorniano que se seja, sempre aparece do nada ou, caso você não entenda nada de signos, aquele lugarzinho emocionado que o mais frio dos corações finge não ter, mas sempre esteve lá e se manifesta.

My Dear Boy é um filme sobre expectativa. Assistindo, é a história daquele amigo que a gente critica por fantasiar toda uma relação, literalmente do princípio até o fim, no momento em que conhece alguém. No fundo, pensando de novo, todos sabemos que podemos ser reconhecidos também por já ter feito a mesma coisa em algum momento, caso já tenhamos nos apaixonado.

O diretor Leaf Lieber é muito gráfico em sua jornada imaginária e imagética, transformando esse econtro de almas emocionadas em possibilidade sem nunca deixar de demonstrar todos os exageros da narrativa. Tudo é viável, mas é tão intenso e recheado de elaborações extremas — e duradouras — que talvez não pudesse ser tão factível. Há ali uma ausência do natural muito característica da afetação.

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Porém, é muito interessante o fato de fantasiar a relação de forma sincera, encarando o eventual fim da paixão e construindo toda a jornada de uma história de amor. O formato epistolar, em tom de despedida, dá um sabor curioso a My Dear Boy, ainda que pessimista, fazendo com que o espectador chegue de maneira interessada até o final. Passando por todas as muitas cores, temperaturas, afetações e intensidades, o encontro com aqueles dois homens é diferente para todos os envolvidos.

Um grande momento
Olá!

[Tribeca Film Festival 2022]

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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