Crítica | Streaming

Não Me Diga Adeus

Esperando para ver

(Don't Make Me Go, EUA, 2022)
Nota  
  • Gênero: Drama
  • Direção: Hannah Marks
  • Roteiro: Vera Herbert
  • Elenco: John Cho, Mia Isaac, Kaya Scodelario, Josh Thomson, Jen Van Epps
  • Duração: 109 minutos

Logo de cara eu conto o que acontece e você vai ficar aí sentado acompanhando como chegamos até esse ponto, para ver que tudo vai acontecer como você imaginou ou para ter a certeza de que vai mesmo se concretizar. Não são poucos os roteiros que usam o subterfúgio. Alguns são bem diretos, outros tão cheios de reviravoltas que acabamos por esquecer que estamos vendo algo que foi previamente determinado. É o caso desse Não Me Diga Adeus, disponível no Amazon Prime Video, que nos avisa que não vamos gostar do modo como a história acaba, mas vamos gostar dela.

Dirigido por Hannah Marks, do divertido Mark, Mary & Some Other People, o filme já quebra o clima que poderia estar pesado pelo que foi dito com uma trilha divertida e uma iluminada e atrapalhada sequência em uma praia de nudismo. Sim, é isso mesmo. A história que conta é a de um pai solteiro que descobre uma doença terminal e decide levar sua filha adolescente para uma viagem em busca de um passado que ela desconhece. Ela está pessando por todas aquelas situações básicas da idade, e ele não sabe muito bem como lidar com elas. Nada muito diferente do que já vimos muitas vezes antes.

Não Me Diga Adeus
Geoffrey Short/Amazon Studios

Um dos pontos altos de Não Me Diga Adeus está na química entre os protagonistas John Cho (Buscando…) e Mia Isaac (Influencer de Mentira) como os dois únicos membros da pequena família Park. Indo além das boas atuações individuais, em suas diferenças e similaridades, entre atritos e afetos, os dois se entendem muito bem em cena. A diretora sabe se aproveitar disso e faz com que seu road movie se alicerce sobre isso. Algumas participações especiais, como a de Kaya Scodelario (Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City), como a amante de Max, e de Josh Thomson (Armas em Jogo), como o amigo da faculdade, acrescentam à experiência.

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Há simplicidade no desenvolvimento do roteiro de Vera Herbert, que nem de longe tenta inventar a roda e aproveita particularidades de uma trama que está cheia de lugares-comuns. Marks também filma bem e faz escolhas seguras, mesclando a estética e definindo a diferença geracional de maneira gráfica. Porém, ela ganha mesmo o público com o afeto. O modo como a história vai se desenvolvendo, como vamos nos relacionando com os eventos e nos afeiçoando aos personagens à medida que a história avança é bastante eficiente.

Não Me Diga Adeus
Geoffrey Short/Amazon Studios

Ainda que recheado de acontecimentos e novidades no percurso dos dois viajantes, o longa tem muitos daqueles momentos para que os personagens sejam conhecidos pelos que os acompanham e por eles mesmos. Longe da escola e da rotina do cotidiano, em quartos de hotel e dentro do carro, Max e Wally têm muito a falar e ouvir. Obviamente que há clichês e situações menos interessantes, mas outras são divertidas e mantém a pegada do filme.

Como todo filme que trata de questões sensíveis como aquela em que se baseia, Não Me Diga Adeus não tem nada de muito novo e tem algumas doses de manipulação, mas é doce na medida e sabe compensar seus pontos negativos. E, de certa forma, surpreende, mesmo que todo mundo tenha sido avisado sobre o final.

Um grande momento
“The Passenger”

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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