Crítica | Streaming

O Apocalipse do Amor

Entre a novela e o comercial

(Askin Kiyameti, TUR, 2022)
Nota  
  • Gênero: Romance
  • Direção: Hilal Saral
  • Roteiro: Yilmaz Erdogan
  • Elenco: Avani Rai, Dinker Sharma, Manya Grover, Himanshu Kohli, Ashutosh Pathak
  • Duração: 100 minutos

Em algum lugar entre uma novela das sete e propagandas de planos de saúde ou agências de viagem, está O Apocalipse do Amor, novo filme turco que entrou no catálogo da Netflix essa semana. O longa conta a história de Firat, um jovem que depois de problemas com os negócios, parte em uma viagem na intenção de conseguir dinheiro, mas encontra o autoconhecimento e o amor. Estilo, nome e sinopse não escondem aquilo que se verá pelos próximos 100 minutos.

Cenas do filme O Apocalipse do Amor
Netflix / @afgankarahan

Contado em flashback, num formato que facilita as coisas, o filme não tem nada de sutil e grita o seu tema central, a morte, aos quatro ventos. O mau negócio de venda de obituários, o passado que acompanha XXX, tantas outras histórias citam ou realmente se baseiam na morte e no luto. Ainda que tudo se encaixe e justifique no roteiro de Yilmaz Erdogan, já lembrado antes aqui no site por seus filmes melosos e carregados de drama, é muito difícil mergulhar no ambiente artificial criado.

O que a diretora Hilal Saral apresenta está muito longe do orgânico e natural, e não estou falando só do jogo que o filme apresenta e se atrapalha ao querer misturar uma realidade que nada teria de possível num delírio sobrenatural. Porém, busca-se ganha pontos ao trazer o contexto pandêmico para dentro da narrativa que está bem descolada dele. Quando falo desse afastamento que vai além da vontade de contemporizar, falo de imagens plasticamente falsas, de belezas e encontros que não são efetivos. 

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Cenas do filme O Apocalipse do Amor
Netflix / @afgankarahan

E há muita forçação de barra também. Para um filme de auto-ajuda sobre superação e reencontro do equilíbrio, com mensagens de resiliência, aceitação e serendipity, tem um monte de coisas ruins que aconteceram. São traumas e decepções que marcaram aquelas pessoas e que agora se encontram e precisam de alguma forma estar sempre fazendo algo para estar juntas.

O Apocalipse do Amor, na verdade, quer se muito mais do que consegue. É um melodrama rasgado, mas não dosa a leveza da trama para torná-lo aprazível ao público que se interessaria por ele e é tão artificial que não consegue envolver. Sem falar que desperdiça a surpresa que teria, que mesmo que não seja tão original assim, ali coladinha com as tramas de Ivani Ribeiro, ao querer ser atual demais.

Um grande momento
Não tem

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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2 Comentários
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Regina Valerio
Regina Valerio
07/09/2022 22:39

Eu concordo com a Daniela Arantes. Também achei um filme leve que prende a atenção justamente por isso. E a fotografia e as músicas são maravilhosas!

Daniela Arantes de Almeida
Daniela Arantes de Almeida
30/06/2022 20:10

Eu gostei. Achei leve. Despretensioso. Assisti sem expectativa e fiquei encantada com a fotografia, com a música, com os personagens. Não é nenhum filme do ano, mas é bom. Talvez espiritualista para alguns…mas isso não desqualifica o filme. É isso.

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