Crítica | FestivalMostra SP

O Milagre no Mar dos Sargaços

(To thávma tis thálassas ton Sargassón, GRE, ALE, HOL, SWE, 2019)

  • Gênero: Drama
  • Direção: Syllas Tzoumerkas
  • Roteiro: Syllas Tzoumerkas
  • Elenco: Angeliki Papoulia, Youla Boudali, Hristos Passalis, Argyris Xafis, Thanasis Dovris, Laertis Malkotsis, Maria Filini, Michalis Kimonas, Christian Culbida, Thanos Tokakis, Laertis Vasiliou, Katerina Helmy, Alkistis Poulopoulou
  • Duração: 121 minutos
  • Nota:

Syllas Tzoumerkas é um diretor que gosta de explorar o desconforto da pessoa com o espaço em que ela se encontra, essa inadequação com o ambiente e vontade de estar em um lugar diferente que já esteve presente em seu longa anterior A Fuga (2014) e agora está por trás de O Milagre no Mar dos Sargaços.

Aqui, duas histórias se encontram: a da policial Elisabeth, transferida a força de Atenas, e Rita, a irmã de uma celebridade local. Ambas são obrigadas a viver numa pequena cidade produtora de enguias sem opções de mudanças. A primeira é amargurada e tenta desvencilhar-se da realidade, a segunda é subjugada e menosprezada, em comum, são vítimas e enfrentam o machismo como podem.

O Milagre no Mar dos Sargaços é confuso nos caminhos que decide tomar. Se em alguns momentos escolhe a literalidade, em outros, mais inspirados, vai atrás de uma alegoria onírica muito mais interessante, alinhando-se com algo que encontra, por vezes, a mitologia cristã. Por outras vezes ainda, toma um caminho entrega-se ao visual gratuito ou pouco dedicado, em pseudo vídeos caseiros e performances musicais.

A confusão estética também está presente no roteiro, que não consegue se equilibrar muito bem, tendo alguns lampejos e encontrando alguma profundidade, mas escorregando em várias facilidades e momentos rasos. As reviravoltas e algumas das relações se dão de maneira muito gratuita e pouco inspirada, por exemplo.

Ainda assim, há algum interesse por trás daquilo que se vê. Principalmente pelas atuações de Angeliki Papoulia e Youla Boudali como Helena e Rita, respectivamente. As duas já estiveram juntas no filme anterior de Tzoumerkas e seguem se destacando como grandes intérpretes do cinema grego atual. Suas personagens quebradas que encontram, uma na outra, forças para voltar a se mover, são incríveis.

Um Grande Momento:
O quase encontro.

[43ª Mostra de São Paulo]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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