(Os Incontestáveis, BRA, 2016)
Aventura
Direção: Alexandre Serafini
Elenco: Fabio Mozine, Will Just, Fernando Teixeira, Tonico Pereira, Kelly Crifer, Markus Konká, Leo Pyrata, Márcio Miranda, Reginaldo Secundo
Roteiro: Alexandre Serafini, Saulo Ribeiro
Duração: 83 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

A Guerra do Contestado aconteceu entre os anos de 1912 e 1916 e tinha como pano de fundo a disputa territorial entre Paraná e Santa Catarina. A falta de regularização de posse dos terrenos – desapropriados pelo governo – e o descaso do Poder Público, aliados ao fanatismo religioso, fizeram a população se revoltar e criar um sistema de governo paralelo, messiânico, que pegou em armas para tentar se manter.

Sem muito motivo aparente, essa história vai parar no meio do filme do capixaba Alexandre Serafini, Os Incontestáveis. O longa conta a história de dois irmãos que partem em uma jornada em busca do antigo maverick do pai. Dentro de um opala amarelo, com uma trilha sonora insistente e exagerada, os dois seguem pelas estradas do Espírito Santo fazendo “tosquices”.

Quem vive os irmãos Bel e Maurício são os músicos Fábio Mozine e Will Just, e nomes como Léo Pyrata, Tonico Pereira e Fernando Teixeira completam o elenco.

Nos primeiros momentos, o road movie esquisito até consegue se identificar com gêneros de cinema que historicamente privilegiam a forma à qualidade do roteiro, e deixa a impressão que poderia dar certo. Mas isso até aparecer a primeira mulher no caminho. O modo com que ela e qualquer outra que apareça na história são tratadas é de um mau gosto e de uma insensibilidade sem tamanho.

Mesmo que tente se justificar falando que está fazendo um filme que antigamente seguiria esse padrão, não há nada que justifique os acontecimentos ou tenha alguma função na narrativa. Pode se dizer que o foco do filme eram os homens, que “são toscos mesmo”, segundo disse o próprio Serafini em entrevista, mas a gratuidade de tudo chega a ofender.

Como se já não tivesse problemas demais, Os Incontestáveis resolve resgatar a guerra territorial histórica que nunca foi sua e muda completamente – completamente mesmo – a sua narrativa. Novos personagens pouco funcionais são incluídos na trama e o que seguia em um ritmo parece se entregar a uma sucessão de eventos que não estavam previstos antes do filme iniciar.

Pode-se até alegar que o filme é uma tentativa de romper com a narrativa clássica, mas é como se ali houvesse três filmes bem diferentes que forçadamente foram colocados na mesma programação de sala e não conversam absolutamente entre si. A coisa vai alcançando um nível de nonsense que é difícil terminar aquilo que se começou. No final, o que se tem é um monte de situações desconexas e gratuitas, que servem mais para agradar às vontades do realizador do que para contar uma história.

Os Incontestáveis é um filme indefensável por sua inadequação e inexplicável por suas opções narrativas. Uma pena, porque se tivesse prestado atenção ao mundo que o rodeia e escolhido apenas um caminho a seguir, tinha até alguma chance de dar certo.

Um Grande Momento:
A primeira parada.

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[20ª Mostra de Cinema de Tiradentes]