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Os Piratas: Em Busca do Tesouro Perdido

Nos mares da Coreia

(해적: 도깨비 깃발, KOR, 2022)
Nota  
  • Gênero: Aventura
  • Direção: Kim Jeong-hoon
  • Roteiro: Chun Sung-il
  • Elenco: Kang Ha-Neul, , Han Hyo-joo, Kim Ki-doo, Kwon Sang-Woo, Lee Kwang-Soo, Oh Se-hun, Park Ji-hwan, Chae Soo-bin
  • Duração: 126 minutos

Já faz um tempo, mas não tanto, que o produtor Jerry Bruckheimer resgatou o interesse pelo capa-e-espada trazendo novamente às telas, em uma rentável franquia, os piratas. Figuras presentes no cinema de aventura de um passado mais longínquo, com um estereótipo já bem definido e duradouro, fazia tempo que não apareciam com tanto destaque. Algo um tanto incompreensível, uma vez que não faltam atrativos às narrativas. São enredos ingênuos, mas divertidos, com desafios nos mares, caça a tesouros e figuras memoráveis.

Anos depois, a tomada das telas por Jack Sparrow e companhia transcendeu Piratas do Caribe e inspirou outras histórias, de outros lugares do mundo. Os Piratas: Em Busca do Tesouro Perdido vem lá dos mares da Coreia, em meio à poderosa Dinastia Joseon, e traz tudo o que esse cinema tem de marcante.

Espécie de continuação de Os Piratas, lançado em 2014, o filme assinado por Kim Jeong-hoon busca outro momento para contar sua história. Ainda sob os efeitos da disputa entre as casas Goryeo e Joseon e da tomada do poder no país, um bando de piratas descobre um mapa de tesouro em um navio japonês e parte em busca das riquezas escondidas. Além de todos os desafios naturais enfrentados para chegar até lá, é necessário despistar e superar todos os que querem o mesmo tesouro. Com uma levada divertida e por vezes frenética, o longa une mais uma vez piratas e bandidos e segue a mesma fórmula de seu antecessor, embora seja independente dele.

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Os Piratas - Em Busca do Tesouro Perdido
Divulgação

Os Piratas: Em Busca do Tesouro parte da traição que contextualiza a jornada e não se importa em repetir o formato. A capitã e pirata Hae-Rang (Han Hyo-joo) e o bandido Moo-Chi (Kang Ha-Neul) se desenvolvem quase da mesma maneira, com este último ainda tendo um background similar ao de Sa-jung (Kim Nam-gil), o bandido de 2014. Porém, seguir o modelo tão à risca não atrapalha a diversão. Por se tratar de uma dinastia de mais de 500 anos e com histórias de poder diversas, há material para ir além da estrutura básica, e quem assiste a filmes de piratas quer mesmo é saber de aventura.

Isso Jeong-hoon entrega. Sem deixar de lado o exagerado humor de ação, uma marca de gênero no cinema sul-coreano, ele não poupa nas várias lutas de katana, voos entre mastros, tempestades no oceano e confrontos em alto-mar. O clássico decifrar do mapa, num quebra-cabeça de muitas peças, também está ali e vem acompanhado das passadas de perna, conflitos de poder e tentativas de fuga que fazem os piratas e bandidos estarem sempre no mesmo lugar. Com vários momentos de tensão e adrenalina, que envolvem e divertem, o diretor só tropeça quando não tem muita segurança nos respiros. Se de um lado aposta no cômico, o que funciona muito mais, por outro quer esmiuçar a história do tesouro e se rende a flashbacks nem sempre interessantes.

Os Piratas - Em Busca do Tesouro Perdido
Divulgação

A sorte é que tem para onde ir e não carece de grandes aprofundamentos para retomar ao ponto onde estava. O filme também tem uma boa química no casal de protagonistas e alguns personagens interessantes, como o pirata Mak-Yi (Lee Kwang-Soo), a trapaceira So-Nyeo (Chae Soo-bin) ou mesmo o coronel Bu (Heung-SooLee). Além de tudo, é vistoso, com grandes galerias, lutas no fogo e na chuva, e tem arte e figurinos caprichados, embora tropece aqui e ali no chroma key

Cheio de reviravoltas e aventura, Os Piratas: Em Busca do Tesouro Perdido cumpre o seu papel. Ainda que na forma padrão e sem negar suas influências, tem origem em uma história bem afastada das muitas que estamos acostumados a ver e traz aos grandes navios, próprios ou pilhados, outras cores, interesses e motivações. Uma boa pedida para os dias em que a vontade é sentar e se divertir com a família.

Um grande momento
Sozinho no navio japonês

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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