[box](Paris Can Wait, EUA/JAP, 2016)

Drama
Direção: Eleanor Coppola
Elenco: Diane Lane, Alec Baldwin, Arnaud Viard, Elise Tielrooy
Roteiro: Eleanor Coppola
Duração: 92 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆[/box]

Depois de viver uma vida cercada de cinema por todos os lados e construir sua carreira no gênero documental, Eleanor Coppola, aos 80 anos, resolveu gravar seu primeiro filme de ficção. Com direção, roteiro e produção assinados por ela, Paris Pode Esperar, conta a história da esposa de um produtor que, por causa de uma dor de ouvido, não pode embarcar com o marido em uma viagem, e decide seguir até Paris com um amigo do casal.

Com Diane Lane e Arnaud Viard como a dupla de companheiros de viagem e Alec Baldwin como o marido, essa aventura de estrada com toques autobiográficos poderia chegar a vários lugares, mas não é o que acontece. O que se acompanha na tela é uma história sem graça, filmada de uma maneira pouco convidativa.

No roteiro, Coppola esquece-se de dar lastro e potência aos personagens, deixando-os vulneráveis aos eventos e acontecimentos; na direção, tem problemas com a composição das cenas e, por muitas vezes, vai buscar em uma linguagem ultrapassada e mais didática do que o necessário o modo de compor suas cenas. Exemplos disto estão no modo nada orgânico com que cita obras de arte ou na insistência com que expõe o hobby da protagonista.

O tom do filme, ao tratar da autodescoberta daquela mulher e ao analisar as nuances por trás dos relacionamentos propostos é superficial e, mesmo nas poucas reviravoltas e exposições, não consegue despertar o interesse. Há também uma tentativa mal sucedida na hora de explorar personagens satélites, que pouco acrescentam à trama.

Outro grave problema está na falta de química entre os dois atores principais. É como se ela estivesse em um lugar e ele em outro completamente diferente. Ainda que não haja esse encontro em cena, Lane, como era de se esperar e mesmo tendo muito pouco com o que trabalhar nas mãos, faz um bom trabalho. O mesmo pode ser dito de seu companheiro de cena, o simpático ator francês Arnaud Viard.

Mas, para além de tudo isso, o longa tem um cenário maravilhoso, já que foi filmado na sempre bela França, com passagens em comunas da Provença, e assume seu caráter quase turístico ao falar dos vinhos, queijos e comidas da região, o que nunca deixará de ser uma delícia. A trilha sonora, assinada por Laura Karpman, destaca-se ao dar à mais tradicional música francesa tons de jazz e não se poupar ao fazer intervenções modernosas em suas mixagens.

Mesmo que assuma desde a primeira cena o seu caráter leve e nada político, falta sal, força e cinema a Paris Pode Esperar. Difícil não associar o longa às produções televisivas do começo dos anos 1990, em forma, conteúdo e relevância. Um pena!

Um Grande Momento:

Nada tanto assim.

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