(Perfectos deconocidos, ITA/ESP, 2017)
Comédia
Direção: Álex de la Iglesia
Elenco: Belén Rueda, Eduard Fernández, Ernesto Alterio, Juana Acosta, Eduardo Noriega, Dafne Fernández, Pepón Nieto
Roteiro: Paolo Genovese, Filippo Bologna, Paolo Costella (roteiro de Perfetti sconosciuti), Álex de la Iglesia, Jorge Guerricaechevarría
Duração: 97 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Em 2016, Paolo Genovese atraiu todas as atenções ao levar aos cinemas italianos o longa-metragem Perfetti sconosciuti. Roteirizado por ele, em parceria com Filippo Bologna e Paolo Costella, o filme partia de uma premissa simples: sete amigos de longa data resolvem fazer uma brincadeira durante um jantar, onde todas as ligações, e-mails e mensagens de texto recebidas deveriam ser compartilhadas entre todos.

Basta meia sinopse para saber que a identificação com a situação é das mais difíceis. Isso levou ao sucesso de bilheteria – com a marca de ser o segundo filme mais visto nos cinemas italianos daquele ano – e, claro, a várias adaptações. Uma grega; uma turca; outra francesa, que deve chegar aos cinemas em outubro deste ano; e a espanhola Perfectos desconocidos, disponível atualmente na Netflix.

Dirigido por Álex de la Iglesia (O Dia da Besta) e adaptado por ele e por Jorge Guerricaechevarría (Cela 211), o longa mantém o básico do filme italiano, mas sofre modificações e para se aproximar do cinema de Iglesias. Embora mantenha o tom teatral comum em produções textuais em um único cenário, há uma busca pelo medo por trás de cada uma daquelas situações cômicas, o que confere uma singularidade curiosa ao projeto. No usual e cotidiano, busca-se aquilo que apavora. Não de maneira ostensiva, mas também usual e cotidiana.

A aura fantástica da história também é um diferencial, embora renda um final de gosto duvidoso e que traga em sua facilidade uma difícil aceitação. Porém, não deixa de estar no universo possível do diretor e tem o seu charme.

Muito do projeto se deve à escolha de um elenco afiado, que sabe como trabalhar com uma trama calcada nas palavras. Nomes como Belén Rueda (O Orfanato), Eduard Fernández (El niño), Eduardo Noriega (Preso na Escuridão), Pepón Nieto (Asunto interno) e Ernesto Alterio (Infância Clandestina) dão consistência à história que se conta.

Mas, na realidade, é mesmo no contexto que Perfectos desconocidos encontra a sua maior força. Não só na maneira como o celular tornou-se uma ferramenta onipresente na vida das pessoas, mas o fato de que ele pode causar a mais devastadora ruptura de superfície que uma relação – independente do tempo e da solidez que esta tenha – poderia suportar. É algo tão assustadoramente factível, que faz com que a atenção/imersão naquilo que se vê dê-se de forma natural e completa.

Um Grande Momento:
A mensagem de voz.

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