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Pyewacket – Entidade Maligna

(Pyewacket, CAN, 2017)
Terror
Direção: Adam MacDonald
Elenco: Laurie Holden, Nicole Muñoz, Chloe Rose, Eric Osborne, Romeo Carere, James McGowan
Roteiro: Adam MacDonald
Duração: 90 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Entre o terror psicológico e o terror sobrenatural, Pyewacket – Entidade Maligna conta a história de Leah, uma adolescente que, como tantas outras, está com problemas com a mãe. A relação estremecida faz com que ambas tenham dificuldades de se enxergar em suas individualidades e uma sucessão de silêncios e agressões toma conta do cotidiano, chegando a desejos bem extremos de ambas as partes.

Adam MacDonald, ainda que confuso, é eficiente na construção do suspense e tem uma boa percepção na criação do medo. Apostando nos instintos do espectador faz, ao lado de seu diretor de fotografia Christian Bielz, um filme escuro e todo pontuado pela ausência completa de luz, além de brincar com movimentos de câmera e demarcar sentimentos com tremores que variam de intensidade. O trabalho de som também é fundamental nessa determinação do clima pretendido e funciona muito bem.

Se há habilidade na criação da atmosfera, ela não é tão nítida assim quando o assunto é a definição dos personagens. Leah e sua turma de amigos são mais estereotipados do que a habitual pasteurização de grupos da mesma idade. A fixação pelo ocultismo, ressaltada pelas roupas pretas, maquiagens carregadas, decoração do quarto, death metal e várias caveiras e pentagramas espalhados por todo o filme é exagerada além da conta. A mãe também não tem muitas nuances e vai, sem muita cerimônia, da depressão absoluta pela morte do marido à alegria de morar em uma nova casa e trabalhar em uma linda loja.

Entre os problemas de roteiro, pode-se incluir também os diálogos fraquíssimos, a participação conveniente do autor ocultista e a repetição de frases moralistas como “cuidado com o que acredita” ou “cuidado com o que deseja”. Porém, apesar de todos eles, Pyewacket – Entidade Maligna é um filme que se segura no suspense e nesse jogo entre o psicológico e o sobrenatural.

O crescente da fúria de Leah antes do principal evento do longa é bem construída, tem uma justificativa e é apurado imageticamente. As consequências vêm com essa dúvida constante: aquilo está sendo fabricado pela onda de medo e culpa que se instalou na protagonista ou realmente existe algo metafísico por trás dos acontecimentos? Sendo a primeira opção a mais ousada e, sem dúvida a mais interessante.

Pyewacket – Entidade Maligna sofre justamente por ter seu caminho indefinido, sendo que a valoração de cada um deles é determinante para o que se percebe do filme. Quando o espectador toma um caminho, qualquer outro pode ser decepcionante. Para aqueles que acham que a maldição é real, todo o jogo psicológico é maçante e despropositado. Para os outros, que preferem o lado da deterioração mental, a concretização de qualquer mito desestimula.

Mas não deixa de ser um trabalho interessante, com uma percepção de terror bem acima da média e que abre mão das facilidades na construção do medo.

Um Grande Momento:
O ritual.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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