Crítica | Festival

Raging Fire

Despedida à altura

(怒火·重案, HKG, 2021)
Nota  
  • Gênero: Ação
  • Direção: Benny Chan
  • Roteiro: Benny Chan
  • Elenco: Donnie Yen, Nicholas Tse, Jeana Ho, Ray Lui, Patrick Tam, Ben Lam, Deep Ng, Kang Yu
  • Duração: 126 minutos

Benny Chan começou sua carreira como assistente de direção de Johnnie To e ficou conhecido por seus filmes policiais de ação frenéticos e intrincados, com títulos como Big Bullet, seu grande sucesso comercial. Ele chegou a dividir a direção com Jackie Chan no filme estrelado pelo astro Quem Sou Eu? e o dirigiu em Três Ladrões e um Bebê. Benny faleceu no ano passado, depois de terminar as filmagens de seu último longa, mas antes de finalizá-lo. Ainda assim, a equipe montou Raging Fire e o filme esta na seleção do 20º New York Asian Film Festival e estreou nos cinemas americanos na última sexta-feira. Sem negar sua autoria, a produção transborda adrenalina.

Com um enredo policial raiz, tudo começa dentro de uma delegacia e envolve, basicamente, policiais em uma trama de rancor e vingança. Como nos filmes do gênero, a facilidade é uma regra, pelo menos do lado de seu protagonista, o certinho e bom-moço Cheung, vivido por Donnie Yen (de O Grande Mestre e Mulan). Ele é o cara que tem o casamento, que não aceita suborno, que faz tudo certo e que não mente jamais e que, obviamente, vai encontrar alguém que não é tão linear. Este é o calculista Yau, personagem de Nicholas Tse, o cara que vai transformar e trazer as incongruências que o filme precisa, além de todo o motivo de tensão.

Raging Fire
Cortesia Well Go USA Entertainment

O roteiro de Chan vai deixando pistas até se revelar completamente, mas não sem deixar muitas mortes e feridos pelo caminho. Ele pode até se demorar nas primeiras sequências para chegar à ação, mas quando chega, é de uma vez, surpreendendo traficantes, policiais e os espectadores. O modo como ele constrói seus vilões magoados é interessante, porque, por mais que eles queiram encontrar motivo para seus atos, vão se tornando tão odiosos a cada novo passo que é difícil surgir alguma empatia. Porém, de outro lado, vai se criando um certo afastamento com Cheung, por mais que se tenha certeza de sua índole, o que também é curioso.

Apoie o Cenas

Falando de tensão e da ação em si, Chan é incrível. As cenas de Raging Fire, que mesclam coreografias de luta, explosões, perseguições e tiros, são montadas para criar uma ansiedade sempre crescente, e ele realmente sabe fazer isso. Além de ter Yen e seu kung fu em cena (amém), ele cria momentos realmente insanos e delirantes, como toda a sequência na favela, uma das coisas — desculpem a efusividade — mais maravilhosas que os amantes do cinema de ação vai ver por um bom tempo. E ainda tem coisas triviais, como carros arremessados em outros para parar metralhadoras, lutas com moto pela janela, salto em carros em movimento e outras banalidades.

Raging Fire
Cortesia Well Go USA Entertainment

Raging Fire é desses filmes que fazem o espectador ficar grudado na cadeira esperando o próximo movimento. Tem lá os momentos em que se perde num sentimentalismo, algo que é um problema já detectado no cinema honconguês comercial de maneira geral, mas nada que comprometa. O final também é carregado. Tem muito tiro, porradaria, perseguição, bomba, explosão de novo, de novo e de novo. Sobra muita coisa, só falta mesmo edição. É como se Chan tivesse preparado as outras sequências com muita precisão, mas não tivesse tido tempo para esta e tudo, sem exceção, tivesse entrado na montagem final. Mas, apesar da longa duração, o tête à tête do final entre Cheng e Yau vem para resolver o problema. Afinal de contas, o que seria de filmes assim sem um mocinho e um vilão no mano a mano para encerrar a jornada?

Um grande momento
Na favela.

Raging Fire
Cortesia Well Go USA Entertainment

“Raging Fire” faz parte da seleção do 20º NYAFF, que acontece de 6 a 22 de agosto de 2021.
O New York Asian Film Festival é vinculado ao Lincoln Center e é o único evento dos Estados Unidos dedicado exclusivamente ao melhor do cinema asiático.

[20th New York Asian Film Festival

Curte as coberturas do Cenas? Apoie o site

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
Botão Voltar ao topo