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Sibyl

(Sybil, FRA, BEL, 2019)

  • Gênero: Comédia
  • Direção: Justine Triet
  • Roteiro: Arthur Harari, David H. Pickering, Justine Triet
  • Elenco: Virginie Efira, Adèle Exarchopoulos, Gaspard Ulliel, Sandra Hüller, Laure Calamy, Niels Schneider, Paul Hamy, Arthur Harari, Adrien Bellemare
  • Duração: 100 minutos
  • Nota:

Se há algo que interessa na construção de narrativas é a capacidade de fazer com que algo seja construído com um emaranhado delas em uma única trama. Sibyl parte de um argumento simples – uma terapeuta resolve voltar a escrever e usa a experiência de uma de suas pacientes como inspiração – para criar o lugar perfeito de confluência de diferentes narrativas. Presente, memória, desejo, roteiro, ficção, realidade própria e realidade alheia se misturam para contar a história – ou as histórias – de Sibyl.

Em tantas camadas, é natural que surjam confusões de personalidades, despersonalizações, afloramentos e omissões. A simplicidade inicial do filme vai ganhando contornos e uma profundidade inesperada e é isso que mais cativa. Porém, o mais interessante é que por mais que se aprofunde nessas camadas, outras vão surgindo, como quando Sibyl entra em cena para atuar.

Justine Triet, em seu terceiro longa-metragem, mostra muita desenvoltura no passear entre tantas realidades e se sai bem, embora deslize por vezes na repetição e em algumas ideias de enquadramento, mas nada que comprometa o resultado final. Seu humor oportuno, apoiado pelo bom trabalho de Virginie Efira no papel título, faz com que o filme siga bem, despertando a curiosidade pelos eventos seguintes.

Com personagens cativantes, em especial a de Efira, muitas reviravoltas e esse passeio por entre narrativas, Sibyl é um filme de classificação mais difícil do que possa parecer, mas que atinge todos os objetivos propostos. Daqueles que sabem onde querem chegar, não se importando muito em explicar que caminho estão tomando.

Um Grande Momento:
Na festa.

[43ª Mostra de São Paulo]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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