Crítica | Festival

Terminal Praia Grande

(Terminal Praia Grande, BRA, 2019)

  • Gênero: Fantasia
  • Direção: Mavi Simão
  • Roteiro: Mavi Simão
  • Elenco: Áurea Maranhão, Rafael Lozano
  • Duração: 74 minutos
  • Nota:

Um mulher acorda e sua casa está revirada pela festa que aconteceu no dia anterior. Depois de se ambientar ao próprio espaço, ela sai e troca mensagens com alguém. A ambientação, agora, é a outro espaço, aquele que não é seu. Terminal Praia Grande fala de espaços, reais e imaginários, de desencontros e encontros. Com uma estética engajada, ilustra cada um desses espaços e cria uma aura de conexão entre mundos.

O começo do filme o localiza dentro do gênero em uma aparição fantasmagórica no metafísico universo dos sonhos. Embora deslocado da trama, é o onírico que traz a morte para a realidade da protagonista Catarina. Uma morte que chegará também de outras maneiras, mas no universo físico, em um lugar banal como o supermercado. Tudo de maneira a provocar o estranhamento, deixando ao espectador a busca por um sentido.

Terminal Praia Grande

Solidão e saudade servem como guias na jornada. A falta do adeus, o fim inesperado, a busca por explicações e a vontade de reviver um passado encontram-se em um roteiro que mistura performance, observação e longos passeios pela cidade de São Luiz. Por trás de tudo, a depressão de Catarina e sua constante busca por algum lampejo de vida. Em uma escolha acerta pela não linearidade, assim como a dualidade exaltada entre onírico e realidade, vida e morte e fim e começo se confundem.

Terminal Praia Grande por vezes se perde na tentativa de impressionar graficamente, porém, se erra no box cheio de plantas ou na brancura do banquete, acerta na construção de uma viagem, relacionando-se com a lenda do Setealem. O mito que ganhou força em uma comunidade do Orkut com um relato muito parecido com aquele reproduzido no filme, de longe, a sua melhor sequência.

Terminal Praia Grande

Depois dela, o estranho vai proliferando na tela, em encontros e criaturas, sem muitas palavras ou explicações. A diretora Mavi Simão, também roteirista do longa, entende bem a necessidade desse não saber para a força da história. Algo que consegue prevalecer ao desequilíbrio das atuações e às falhas da edição, deixando em quem assiste ao filme a liberdade de interpretar tudo o que vira até ali.

Um grande momento
No ônibus.

[10º Cinefantasy]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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