Crítica | Streaming

Testemunha Invisível

(Il testimone invisibile, ITA, 2018)
Suspense
Direção: Stefano Mordini
Elenco: Riccardo Scamarcio, Miriam Leone, Fabrizio Bentivoglio, Maria Paiato, Sara Cardinaletti, Nicola Pannelli, Sergio Romano, Paola Sambo, Ascanio Balbo, Gerardo De Blasio
Roteiro: Oriol Paulo, Stefano Mordini, Massimiliano Cantoni
Duração: 102 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

A surpresa é fundamental para que um thriller funcione a contento. Mesmo que não seja nenhum destaque em elaboração, Testemunha Invisível, refilmagem italiana do longa espanhol Um Cotratempo, tem em suas reviravoltas e na revelação final seu diferencial. É, portanto, um filme que entretém e diverte quem gosta do gênero.

O longa acompanha o encontro de um bem-sucedido empresário de tecnologia com uma advogada contratada para provar sua inocência. Ele é acusado de assassinar sua amante em um quarto de hotel, mas há muito mais coisa por trás da morte do que parece em um primeiro momento.

Há pouca criatividade nessa versão de Stefano Mordini, já que muito do roteiro é exatamente igual àquilo que Oriol Paulo havia filmado em 2016, desde os diálogos até as próprias marcações de cena. Até mesmo Maria Paiato está tão semelhante a Ana Wagener que parece ter feito a caracterização baseada na personagem desta.

Outras irregularidades também podem ser percebidas, como o desequilíbrio entre as atuações de Riccardo Scamarcio e Miriam Leone. Enquanto Scamarcio não consegue deixar a canastrice de lado e nem criar nuances em seu Adriano, sempre com as mesmas caras e poses; Leone faz um trabalho interessante com sua Laura, principalmente quando alterna entre as versões malévola e frágil.

Porém, o maior desafio de Testemunha Invisível também vem do original e está em driblar a atenção do espectador, com uma revelação adiantada por bastante tempo durante a projeção do filme. Os mais observadores talvez não consigam ter aquele elemento tão indispensável ao gênero, mas quem passar ileso vai ter uma experiência bem interessante.

Ainda assim, são muitas reviravoltas. O jogo todo com a advogada, entremeado com encenações daquilo que teria acontecido, recomeçando a cada nova versão do testemunho, é interessante e diverte quem gosta de suspense policial. Poderia ter sido mais ousado e ter se colocado mais na hora de criar, sem parecer uma cópia daquilo que Oriol Paulo já havia feito antes, mas, para quem não conhece o original, Testemunha Invisível não deixa de cumprir o seu papel.

Um Grande Momento:
A revelação.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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