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A preservação da memória dá o tom da abertura da 21ª CineOP

“Quando uma imagem se perde, não é apenas um arquivo que desaparece, uma memória que se apaga. É uma possibilidade de reconhecimento que se interrompe. É o próprio país que se torna menos visível a si mesmo”, assim Raquel Hallak, coordenadora-geral da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, deu início à 21ª edição do evento. Ao falar sobre a importância da preservação audiovisual, ela enfatizou que preservar é um gesto político e um ato de resistência. “Projetar imagens é também projetar futuros”, completou.

A cerimônia de abertura ocorreu na noite de ontem (25), em uma Praça Tiradentes lotada. A programação incluiu uma performance artística inspirada no tema desta edição, Um País Existe nas Imagens que Preserva, além da homenagem à cineasta Helena Solberg e da exibição de seus filmes A Entrevista (1966) e Meio-Dia (1970).

A abertura traduziu em música, projeções e artes cênicas os três eixos que orientam a mostra: Preservação, História e Educação. Ao longo da noite, diferentes momentos destacaram o papel das imagens na construção da memória coletiva e da identidade cultural do país.

Um dos momentos mais emocionantes lembrou da presença feminina na história do cinema brasileiro, com a projeção de imagens e dos nomes de diversas realizadoras, iniciando com Cleo de Verberena e passando por diversas gerações. Nesta edição, a temática histórica fala sobre o começo da carreira de diretoras hoje consagradas como a homenageada Helena Solberg.

Ao receber a homenagem, a diretora relembrou sua relação com Minas Gerais, especialmente durante as filmagens de Vida de Menina (2003), em Diamantina. Emocionada, destacou a importância de rever seus primeiros trabalhos seis décadas depois de realizá-los: “Sinto um grande abraço de vocês nessa sessão com meus primeiros trabalhos, que começaram a minha carreira. Eles foram realizados há sessenta anos, no início da ditadura militar”.

A 21ª CineOP segue até 30 de junho com exibições de filmes, debates, encontros, oficinas e atividades artísticas voltadas à preservação, à história e à educação audiovisual.

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. É votante internacional do Globo de Ouro e faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema, OFCS – Online Film Critics Society e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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