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A Via Láctea

(A Via Láctea, BRA, 2007)

Drama

Direção
: Lina Chamie

Elenco: Marco Ricca, Alice Braga, Fernando Alves Pinto

Roteiro: Aleksei Abib

Duração: 86 min.

Minha nota: 5/10

Heitor (Marco Ricca) e Júlia (Alice Braga) já namoram há algum tempo. Ele é um professor de literatura e ela veterinária. Enquanto para ele são as rimas que melhor descrevem sua amada, para ela são as diferenças biológicas entre as espécies.

Depois de um briga pelo telefone, ele tenta recuperar o relacionamento indo até a casa dela e se perde na imensidão de carros que inunda São Paulo no final de todos os dias. Enquanto percorre seu longo e demorado caminho, Heitor pensa em toda a sua relação com Júlia e tenta alcançar algo que já não é mais possível.

Seguindo de uma maneira diferente o brilhante “A Passagem”, o tema tratado é muito interessante e capaz de render vários questionamentos e bons momentos, mas também traz consigo uma facilidade muito grande de deixar tudo escapar por uma escolha errada de montagem ou pela duração exagerada de alguma cena.

Com muitas leituras de poemas e textos científicos, o filme vai fazendo com que o público vá ficando no meio do caminho ou se chateie com uma história que, em vários momentos, não parece ir a lugar nenhum.

Opções ousadas como esta e o uso de uma trilha sonora nada usual e muito presente que deixam o filme mais intrigante e fazem com que o final faça mais sentido e, por incrível que pareça, se torne mais interessante.

Os tempos de cena são realmente um problema que não pode deixar de ser mencionado. É difícil não cansar quando vemos pela enésima vez a mesma imagem já sabendo que ela pode durar mais de um minuto na tela. Até as experimentações visuais que não se explicam são mais fáceis de aguentar.

Alice Braga e Marco Ricca estão muito bem nos papéis, apesar de alguns problemas de dicção em uma ou outra recitação. A fotografia de Katia Coelho também é interessante e consegue fazer da cidade de São Paulo uma personagem tão viva como os outros.

Apesar dos defeitos é um filme que merece todos os créditos por sua criatividade e pelo exercício de um cinema que não estamos acostumados a ver por aqui.

Não é uma escolha que agrada a todos e um pouquinho de paciência vai ser essencial.

Um Grande Momento

O telefone está ocupado.

Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

Grande Prêmio Brasil de Cinema: Ator (Marco Ricca)

Links

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

Um Comentário

  1. Oie!

    Hugo – Sim, é uma viagem e sim, é meio cansativa. É interessante ver o cinema nacional produzindo coisas diferentes, mas alguns cortes seriam necessários.

    Dani – É. Dá para ver que você não gostou nem um pouquinho do filme, né?

    Charles – O “Inimigo Meu”? Vale a pena conhecer!

    Vinícius – Não é um filme que agrade fácil mesmo. Olha o comentário da Dani aí em cima.

    Beijocas

  2. Esse filme até que parece interessante, mas foram poucos os comentários positivos que vi a seu respeito…

  3. Olá Cecília.

    Não conhecia esse filme. De ficções dos anos 80, só o que me vem na cabeça é Blade Runner e o canastrão A Lenda. Parece ser interessante.

    abs.

  4. Realmente uma viagem. Realmente cansativo. Realmente precisa-se de paciência. Realmente não gostei e não aconselho. Sinceramente, eu já vi MUITAS pessoas meio sem-noção falando que TODOS os filmes nacionais são uma merda (com o perdão da palavra), o que eu discordo plenamente, mas no que depender desse filme para mudar a opinião desses iludidos, os filmes nacionais à eles continuaram sendo ruins.
    Não recomendo à pessoas:
    sem paciência
    que querem ter boa visão do cinema nacional
    que procuram um filme bom na locadora.

    Abraços

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