Crítica | FestivalFestival do Rio

Alice Junior

(Alice Junior, BRA, 2019)
Comédia
Direção: Gil Baroni
Elenco: Anne Celestino, Emmanuel Rosset, Surya Amitrano, Matheus Moura, Thaís Schier, Katia Horn, Gustavo Piaskoski, Antonia Montemezzo, Igor Augustho, Melissa Locatelli
Roteiro: Luiz Bertazzo, Adriel Nizer Silva
Duração: 87 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Alice Júnior (Anne Celestino) é uma adolescente trans que vive com seu pai Jean (Emmanuel Rosset) no Recife. Antenada, criativa e comunicativa ela dá vazão a seus pensamentos em um canal no Youtube. Um dia, seu pai se vê obrigado a mudar-se, a trabalho, para a pequena e antiquada cidade de Araucárias do Sul. A novidade vira a vida deles de cabeça para baixo. Entre todos os percalços que passa na nova cidade, Alice ainda sonha, como qualquer adolescente, com seu primeiro beijo.

O filme consegue abordar questões relacionadas ao preconceito e às dificuldades enfrentadas pelas pessoas trans, mas tudo de forma leve inerente à comédia. Mérito da atriz Anne Celestino, que emprega à sua Alice tanta personalidade e carisma que é impossível não ser cativado pela personagem. Não por acaso ela levou o prêmio de melhor atriz no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Destaque também ao trabalho de pós-produção que apostou, acertadamente, no uso de grafismos e animações que remetem à linguagem jovem e bem colorida das redes sociais para dar o tom do filme.

Enquanto a escola onde Alice vai parar é um ambiente hostil e retrógrado – onde os professores se recusam a chamá-la pelo seu nome social, a diretora impõe a ela o uso do uniforme masculino e nem o garoto homossexual do colégio interessa na sua amizade -, a garota encontra todo acolhimento e amorosidade que precisa na relação com o pai. Rosset consegue passar, em sua interpretação, a doçura e a firmeza necessários a este pai para brigar pelas questões da filha trans.

Além de toda a questão de gênero e autoafirmação, Alice ainda é uma adolescente e, como outra jovem qualquer da sua idade, sonha com o seu primeiro beijo. É neste momento da história que percebemos que nada é como esperamos ser.

Um Grande Momento:
Banho de piscina da sororidade.

Links

IMDb

[52º Festival de Brasília]

Danielle Alvarenga

Danielle Alvarenga é das artes. Designer de formação e fotógrafa por paixão. Cinéfila e viajante de carteirinha. Tem cursos na área de crítica e linguagem cinematográfica, no escurinho do cinema ou na poltrona de casa encara toda e qualquer produção da sétima arte.
Botão Voltar ao topo