Crítica | Streaming

Bob Esponja: O Incrível Resgate

Não é novo, é diferente

(The SpongeBob Movie: Sponge on the Run, EUA, KOR, 2020)

  • Gênero: Animação
  • Direção: Tim Hill
  • Roteiro: Tim Hill, Jonathan Aibel, Glenn Berger
  • Duração: 91 minutos
  • Nota:

Vive num abacaxi e mora no mar?
Bob Esponja Calça Quadrada!

Estamos de volta à Fenda do Biquíni e ao bem decorado abacaxi de Bob Esponja e sua lesma de estimação Gary. Está é a amizade que guiará o filme Bob Esponja: O Incrível Resgate, disponível na Netflix e animação bem procurada pela criançada nessa quarentena que começou a ser flexibilizada, mas não afetou tanto os negócios da gigante de streaming. Mantendo as características de uma das mais carismáticas animações da Nickelodeon, incluindo a psicodelia, essa nova aventura não se esforça muito para ir além do usual. Não ofende e consegue divertir.

A nostalgia talvez seja um elemento importante nessa diversão, é verdade, fazendo com que o filme seja para aqueles que conhecem a série do final dos anos 1990. Ou talvez seja preciso a pouca idade para descobrir todo o universo inusitado daquela esponja de cozinha de calça quadrada, seu melhor amigo estrela do mar, o vizinho polvo mal-humorado e a esquilo astronauta que mora embaixo d’água para que tudo faça algum sentido. Como estamos falando de um desenho animado, acabei pensando em uma lógica de anime com o novo filme. O desenho seriado, seria o canônico, aquele que segue o ideário e os preceitos do saudoso Stephen Hillenburg, que sempre foi a mente criativa por trás de tudo, inclusive do filme de 2004. Já o filme de agora, não só abre uma outra possibilidade estética, como inclui elementos estranhos à franquia.

Bob Esponja: O Incrível Resgate

As quebras podem incomodar os puristas, sem dúvidas, mas quando vistas em um quadro geral, são divertidas e interessantes. Há muita coisa de resgate e homenagem, o que aproxima bastante Bob Esponja: O Incrível Resgate da obra da qual deriva. Entre idas e vindas, o espectador conhece a origem dos personagens no Kamp Koral e seus dias atuais na Fenda do Biquini e no cotidiano na hamburgueria Siri Cascudo. Velhos e novos elementos se misturam com o desenrolar da trama principal: o sequestro de Garry para que Poseidon, o deus dos mares consiga a gosma para manter-se para sempre jovem.

Esteticamente, a animação abandona o 2D mais simples para um elaborado 3D e muitas texturas, intensificando a interação com o live-action do filme do longa-metragem Hillenburg e Mark Osborne. Tem cena musical a la filme adolescente da Disney com Snoop Dogg e piratas zumbis, participação especial de Danny Trej e, Keanu Reeves rolando por aí. Já o tridimensional intensifica uma inusitada noite de Se Beber, Não Case – ou algo mais ingênuo como Percy Jackson e amigos no cassino em O Ladrão de Raios – de Bob Esponja e Patrick em Atlantic City e toda a história de Poseidon como o excêntrico manda-chuva da Cidade Perdida.

Bob Esponja: O Incrível Resgate

O filme tem lá os seus tropeços em prolongamentos desnecessários, mas tem ótimas tiradas, como os dois amigos começam a debater sobre estar em um sonho ou não e os espectadores estranham tanto quanto eles a conversa que estão tendo. Há ainda uma bonita homenagem não muito explícita a Hillenburg, representado pela não mais presença de Bob no local. No final das contas, o que se encontra é mais do que se poderia esperar, ainda que não seja nenhuma experiência inesquecível.

O mais importante é que Bob Esponja: O Incrível Resgate não é um filme pretensioso. Pelo contrário, quer se divertir consigo mesmo e homenagear tudo aquilo que foi a esponja de cozinha amarela que mora no abacaxi embaixo do mar e o universo surreal criado em torno dela. Com sua positividade poliânica, irritante e ao mesmo tempo divertida, o personagem, por 13 temporadas, fez parte da vida de muita gente. E é legal vê-lo em uma nova aventura.

Um grande momento
“Você apresentou um dilema metafísico.”

Ver Bob Esponja: O Incrível Resgate na Netflix

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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