Crítica | Streaming

Coffee & Kareem

(Coffee & Kareem, EUA, 2020)
Ação
Direção: Michael Dowse
Elenco: Ed Helms, Terrence Little Gardenhigh, Taraji P. Henson, Betty Gilpin, RonReaco Lee, Chance Hurstfield, David Alan Grier, Andrew Bachelor
Roteiro: Shane Mack
Duração: 88 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

Ao partir de uma premissa potencialmente divertida: um adolescente revoltado com o policial que está namorando sua mãe resolve contratar alguém para dar um susto no quase padrasto, Coffee & Kareem tinha tudo para dar certo e provocar boas risadas. Porém, a um incômodo que não deixa o filme em nenhum momento.

Protagonizado por Ed Helms (Se Beber, Não Case!) e Terrence Little Gardenhigh (Danger Force), e tendo como coadjuvantes Taraji P. Henson (Estrelas Além do Tempo) e Betty Gilpin (Megarrromântico), tudo se direciona bem para essa mescla de ação e comédia que está tão ligada a filmes policiais. Aquela dupla de diferentes que estamos acostumados a ver aqui é formada por um policial e o filho de sua namorada.

Coffee & Kareem (2020)

Algo que não encontraria problemas pela frente se não fosse o caso de a criança ter apenas 12 anos e aparecer, o tempo todo, com atitudes que contrariam a idade. Não que isso diga respeito só à linguagem e à fixação sexual, algo que é bem comum na idade, mas no comportamento over, que ultrapassa o limite em todas as cenas. É cansativo e compromete significativamente o humor esperado.

E o problema é em grande parte do roteiro do estreante em longas-metragens Shane Mack, que replica toda uma estrutura, em atos e previsibilidades, sem realmente adaptá-la à realidade daquilo que quer retratar. Trocar o personagem de Gardenhigh, que até se dedica ao papel, por um adulto, não faria a menor diferença. E quando há uma questão etária, isso não pode ser ignorado.

Coffee & Kareem (2020)

Apesar de ser o mais grave, esse não é o único problema do roteiro preguiçoso que, além de imitar, quando se aventura em apimentar viradas já sacadas, faz isso de um jeito pouco cativante. E ainda tem a direção pouco inspirada de Michael Dowse (Uma Noite Mais Que Louca), que parece confiar demais em seus atores e os deixa soltos para fazer o que bem entenderem.

Com o humor funcionando apenas em momentos pontuais, como na cena do tocar da campainha antes da invasão, Coffee & Kareem se segura na ação e numa graça que vem exclusivamente dela, independente deste ou daquele personagem, focada em perseguições abobalhadas e fugas mal-sucedidas. Assim, ele até consegue chegar ao final sem perder a atenção, ainda que o incômodo esteja ali.

Um filme que poderia ser muito mais divertido se olhasse realmente para seus personagens, e com uma gama de assuntos interessantes para tratar que são deixados de lado confiando na universalidade da fórmula.

Um Grande Momento:
Tocando a campainha.

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IMDb

Fotos: Justina Mintz/Netflix

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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