(Isn’t It Romantic, EUA, 2019)
Comédia
Direção: Todd Strauss-Schulson
Elenco: Rebel Wilson, Liam Hemsworth, Adam Devine, Priyanka Chopra, Betty Gilpin, Brandon Scott Jones, Jennifer Saunders, Alex Kis
Roteiro: Erin Cardillo, Dana Fox, Katie Silberman
Duração: 89 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

A comédia romântica é um gênero fundado no clichê. Não há grandes surpresas ou invenções na sequência de eventos, movimentos de câmera, uso de canções nem sempre originais para pontuar a história e personagens. O que se entrega e a forma do que se entrega são exatamente aquelas que todos antecipam. É um problema? Para alguns pode ser, mas não para aqueles que entram no jogo esperando justamente isso.

E são muitos anos de treinamento no gênero, começando discretamente em 1934 com Aconteceu Naquela Noite, de Frank Capra, se intensificando com as histórias juvenis dos anos 1980, como A Garota de Rosa-Shocking, até a exposição maciça com o boom nos anos 1990, capitaneado por Julia Roberts em sua adaptação moderna de Cinderela com Uma Linda Mulher. Aliás, é este título que dá o pontapé inicial ao filme, com a música dos créditos e suas cenas reproduzidas na televisão.

Megarrromântico, que chega no momento de uma nova onda do gênero nos cinemas, conhece bem seu público e se aproveita disso para ser uma comédia romântica – em forma, cores, música e estilo – e não perde nenhuma oportunidade de brincar com o estilo. São como duas comédias românticas, uma dentro da outra: a do mundo real e a do universo açucarado para onde é transportada.

A mocinha é Natalie, vivida por Rebel Wilson, alguém que não acredita no amor e odeia comédias românticas, embora saiba absolutamente tudo sobre elas. Ela não se destaca no trabalho, tem um melhor amigo apaixonado (Adam Devine), uma melhor amiga parceira para todas as horas (Betty Gilpin) e um vizinho misterioso (Brandon Scott Jones), além de um cliente gostosão grosseiro (Liam Hemsworth). Em uma tentativa de assalto, Natalie bate com a cabeça e passa a viver dentro de uma comédia romântica.

A história batida do começo alcança então seu principal público-alvo: aqueles que sabem exatamente o que esperar do que vem pela frente e, mais, reconhecem cada uma das referências entre as muitas espalhadas pelo filme: tem Afinados no Amor (1998), O Casamento do Meu Melhor Amigo (1997), De Repente 30 (2004), O Diário de Bridget Jones (2001), Doce Lar (2002), Encantada (2007), Harry e Sally – Feitos um para o Outro (1989), Jerry Maguire – A Grande Virada (1996), Um Lugar Chamado Notting Hill (1999), Muito Bem Acompanhada (2005), Nunca Fui Beijada (1999), Quatro Casamentos e um Funeral (1994), Sexy and the City (2008), Sintonia de Amor (1993) e outros.

Entre todos os grandes clichês, como o beijo bem enquadrado e iluminado na chuva; a limpeza da cidade, seu cheiro de lavanda e a nova distribuição urbana; o amigo gay que surge do nada dentro da casa, ou a inimiga mortal ultra bem-vestida no trabalho, Natalie tenta fugir de alguns e faz rir ao se indignar com todos os barulhos que encobrem seus palavrões ou quando dá um chilique porque se recusa a passar por uma daquelas clássicas sequências de montagem.

É assim, pulando etapas de todo um grande esquemão consolidado e gozando de tudo aquilo que está sendo revisto, que a comédia romântica simples do começo se diferencia de todas aquelas que vieram antes. Com uma protagonista plus size, críticas à estereotipização do personagem gay e à rivalidade cultuada entre mulheres, e uma mensagem que contraria a de que é necessário ter alguém ao nosso lado para encontrar a plenitude e a felicidade, dá passos interessantes numa já perceptível renovação do estilo.

Ainda que tenha muitos atrativos e se construa bem, tem aqueles exageros da Wilson, que não são exclusividade de Megarrromântico, e algumas repetições desnecessárias. Ainda que conte com um bom e embasado roteiro do trio Erin Cardillo, Dana Fox e Katie Silberman, o diretor Todd Strauss-Schulson não parece ter tanto controle sobre aquilo que conduz.

Mesmo assim Megarrromântico diverte, e muito. Funciona como comédia, como comédia romântica e é um presente do começo ao fim para aqueles que curtem o gênero. Para terminar, nada melhor do que um gigantesco número musical e, assim, confirmar que chegou lá. Como seus pares (e alvos), sem nenhuma pretensão de ficar na cabeça de quem o assiste, mas cumprindo a intenção básica de fazer rir e suspirar.

Um Grande Momento:
Tentando burlar a classificação indicativa na cama.

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