Crítica | Streaming

Invictus

(Invictus, EUA, 2009)

Drama
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Morgan Freeman, Matt Damon, Julian Lewis Jones, Patrick Lyster, Penny Downie, Matt Stern, Tony Kgoroge, Patrick Mofokeng
Roteiro: John Carlin (livro), Anthony Peckham
Duração: 133 min.
Minha nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Quem já me conhece sabe que eu adoro o trabalho de Clint Eastwood como diretor. Vejo em seus filmes uma sensibilidade e uma percepção de beleza difíceis de encontrar hoje em dia. Tudo é tão cheio de carinho e feito com tanto cuidado que não precisei de muitos títulos para me apaixonar e aguardar com ansiedade seus lançamentos.

É verdade que não consigo gostar tanto de Menina de Ouro, por achar que pesa a mão no melodrama mais do que precisava, e nem de A Troca, por seu roteiro e por seu ritmo. Mas outros filmes, como o sensacional Gran Torino, mantém meu interesse e confiança em seu trabalho.

O último filme, Invictus, tinha tudo para dar certo: uma história real de arrepiar, com apelo por seu conteúdo político e por se tratar de um filme relacionado a esportes. Nelson Mandela acabara de sair da prisão, após vários anos, e fora eleito presidente. A nação ainda sofria com o apartheid e o preconceito racial de ambos os lados e ele tinha que arrumar uma maneira de unir seu povo.

Sede da terceira Copa do Mundo de Rugbi, foi neste esporte, predominantemente praticado por brancos e símbolo do antigo regime, que o presidente sul-africano apostou suas fichas e tentou criar uma identidade nacional.

A boa história é contada sem muita homogeneidade e apesar dos bons momentos, não resiste a alguns clichês. A visita à prisão, as frases motivacionais do capitão durante a final e até a presença infantil do lado de fora do estádio são exemplos de que a vontade de emocionar a platéia acabou fazendo o papel contrário, mas nada é tão grave como a cena do avião que, completamente desnecessária, é embaraçosa.

Algumas passagens também não conseguem mostrar a que vieram. Estão tão soltas que chegam a não fazer sentido e falta aquela conexão, aquele sentido e o peso político que a história tem, mas o filme não consegue acompanhar. A trilha sonora também incomoda, principalmente por parecer estar sempre em todo lugar.

Apesar dos pesares, o filme consegue se manter. Talvez pelo clima que o jogo da final cause ainda que exagere nos efeitos sonoros, ou mesmo por aquela sensação que o público sempre tem quando a história contada aconteceu de verdade.

As atuações de Morgan Freeman como Mandela e Matt Damon como o capitão do time, François Pienaar, são boas, mas nada tão grandioso assim como andam alardeando. São corretas e sinceras, apenas.

Uma boa história, na mão de um grande diretor que acabou no meio do caminho e não conseguiu trazer à tona todo o movimento que pretendia ter mostrado.

Daqueles filmes que devem ser vistos sem grandes expectativas e talvez faça mais sucesso com pessoas que têm uma intimidade maior com o esporte, nem tão popular por essas bandas.

Um Grande Momento

A sequência em si não é lá grandes coisas, mas o relógio consegue criar um clima.

Links

IMDb [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=3uBEqfMVHFY[/youtube]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

14 Comentários

  1. Assisti ao filme nesse fim de semana, bem depois do lançamento em cinema e dvd, depois da onda de comentários e tudo mais. Gosto de ver filmes assim. Gostei do roteiro por causa do momento histórico que retrata. Só vim ler o que o site falava sobre o filme depois de assisti-lo, mas quanto às cenas desnecessárias concordo plenamente. Toda hora que aparecia aquele menino queria saber o que ele ia influenciar na história. Sobre o avião achei o medo tipo 11 de setembro meio fora do normal (o 11/09 ainda não tinha ocorrido!!!). A atuação do capitão e do Mandela são na média. É aquele típico filme para transformar o mocinho em… mocinho. Agora, só acho que “esqueçeram” de falar da comida “batizada” dos All Blacks na final.

  2. Eu estava pensando nisso há pouco. Os defeitos são muitos, alguns graves, outros chatos, mas o filme ainda tem alguma coisa. Por isso a nota 6.

  3. Pois é, não consegui entrar na história de A Troca. As imprecisões do roteiro e o ritmo do filme foram me deixando irritada e, ao final da exibição, nada marcou muito.

  4. Pois é, alguns acertos e erros incômodos. O pior é que nem dá pra dizer que não é um filme do Eastwood, uma vez que os erros estão se repetindo.

  5. Não repreendo tais criticas ao filme pois, de certo, ele contém tais imperfeições. Mas achei a direção de Eastwood tão formidável que o filme meio que transcendeu.

    Nota 8/10

  6. Acredito que mesmo com os cliches emocionais deve ser um bom filme, concordo com a barra forçada de Menina de Ouro, mas adorei A Troca, o Clint é assim, cinema simples sem malabarismos mas sempre otimo, é um grnade contador de histórias isso sim.

  7. De certa forma achei esse melhor que os últimos filmes do Eastwood, dos quais não sou muito fã, mas realmente poderia ser melhor sem algumas passagens.

  8. Tenho boas espectativas sobre esse filme. Aguardar estrear aqui!

  9. Também acho um filme apenas bom do Clint, que consegue recriar uma história que eu não conhecia, mas as exageradas cenas internas, as múscias deslocadas e outras coisinhas não me agradaram muito.

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