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Me Tira da Mira

O que está se passando com essa cabeça?

(Me Tira da Mira, BRA, 2022)
  • Gênero: Ação
  • Direção: Hsu Chien Hsin
  • Roteiro: Beatriz Rhaddour, Claudio Simões, Diego Timbó, Regiana Antonini, Junior Provesi, Hsu Chien Hsin, Ana Eliza Guerreiro, Homero Mendes, Victor Michels, Tiago Lima Cunha
  • Elenco: Cleo, Fiuk, Fábio Jr., Bruna Ciocca, Vera Fischer, Stênio Garcia, Sergio Guizé, Mel Maia, Silvero Pereira, Júlia Rabello, Cris Vianna, Maria Gladys, Kaysar Dadour, Gessica Kayane, Viih Tube
  • Duração: 90 minutos

— Vem cá, você acha que eu fui meio cafajeste por terminar desse jeito?
— Sim, muito. 
— Nada a ver. Na verdade, cafajeste foi você que terminou com o Rodrigo só porque ele saiu da Polícia Civil. 
— Você sabe muito bem que cafajeste foi o Rodrigo fazendo concurso pra Polícia Federal sem me avisar nada.
— Na real, cafajeste foi o seu pai que fez o Rodrigo fazer o concurso da Federal só pra te forçar a ir com ele. 

São muitos os diálogos inacreditáveis em Me Tira da Mira, e a aleatoriedade e a falta de sentido dessa passagem em especial é um bom exemplo disso. Mantendo a inclinação para o humor e o gosto pelas comédias populares, como comprovou com seus dois filmes anteriores, Ninguém Entra, Ninguém Sai e Quem Vai Ficar Com Mário?, o diretor Hsu Chien inclui um quê de policial e ação nesta trama que envolve romance reprimido, relação paterna, assassinato, investigação criminal, casa de repouso e tráfico internacional de drogas. Com uma amarração que segue bem o caminho do diálogo acima, ela não tem como principal preocupação fazer sentido.

Também não surpreende, vendo a quantidade de pessoas que se envolveu com o roteiro. Nos créditos, como roteiristas, estão Beatriz Rhaddour e Claudio Simões estreando em longas, auxiliados pelos corroteiristas Diego Timbó, Junior Provesi e Regiana Antonini, a mais experiente dos três. Ainda aparecem várias pessoas listadas como “colaboradores”, mais cinco, incluindo o próprio diretor. É aquela velha máxima, massa em que muita gente põe a mão desanda. Porém, para além do papel, é aquilo: não são eventos e a concatenação que estão comprometidas, são as próprias passagens individuais.

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Me Tira da Mira
Divulgação

Mas dane-se as conversas sem sentido no resgate ao refém, an visita à figurinista, no término com a ficante, no jantar com o pai, no teste da droga ou no pneu furado na estrada, o negócio é juntar em cena um número considerado de nomes que atraiam público e isso ninguém pode negar que Hsu Chien faz. De BBB a ídolos da música, passando por influencers e/ou os dois, Me Tira da Música é um álbum de figuras conhecidas não necessariamente por suas habilidades interpretativas. Ali estão Fábio Jr (com direito a trechos das letras das músicas nas falas, tá?). e seus dois filhos Cleo e Fiuk, e mais Viih Tube, GKay e até Kaysar, ao lado de outros atores. Cleo, um pouco mais experiente na função, perdida no meio de todos, mas nem se compara com o que se percebe quando a cena é divida com Sergio Guizé, Júlia Rabello, Silvero Pereira, Stênio Garcia, Cris Vianna ou Maria Gladys. Pelo menos parece que eles se divertem.

É nessa diversão mais interna do que externa e na curiosidade de ver como esses rostos sobrevivem juntos que o longa consegue se segurar aos trancos e barrancos. Há coisas mais difíceis de serem relevadas, é verdade, como aquela marca de definições machistas que persiste na filmografia do diretor, principalmente na figura de Isabela (Bruna Ciocca), algo que ele parece não conseguir superar. Outras, a gente vai se acostumando, de uma maneira conformada mesmo, sem gostar ou se envolver, talvez mais pela curiosidade despertada.

Assim, Me Tira da Mira chega ao final depois de seguir uma trilha bem acidentada, confuso, histérico e atrapalhado. Não é fácil para quem assiste, mas talvez o fato de ter tanta gente conhecida ali no meio agrade aos fãs dos envolvidos no projeto e, quem sabe, talvez garanta um convite à próxima Farofa a alguém.

Um grande momento
Natasha deixando a valise.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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