Crítica | Cinema

Minari: Em Busca da Felicidade

Um conto sobre família, solidariedade e esperança.

(Minari, EUA, 2020)
Nota  
  • Gênero: Drama
  • Direção: Lee Isaac Chung
  • Roteiro: Lee Isaac Chung
  • Elenco: Alan S. Kim, Yeri Han, Noel Cho, Steven Yeun, Darryl Cox, Esther Moon, Ben Hall, Eric Starkey, Will Patton
  • Duração: 115 minutos

“Maravilhosa, maravilhosa Minari”

A Minari, planta que dá título a esse filme que parece um álbum de família construindo com a artesania do cinema por Lee Isaac Chung, representa a vontade de uma família coreana em solidificar-se num lugar e viver o sonho americano. Cultivando com resiliência a vontade de ter uma terra e prosperar, Jacob, Monica, Anne e David chegam até o Arkansas.

Após 10 anos trabalhando numa fábrica de frangos pra economizar, Jacob, o pai sonhador do clã, vivido por Steve Yeun (de Em Chamas), quer tapar o sol com a peneira e vai aqui e ali, cometendo equívocos como emprestar do banco, não conseguir vender a produção e deixar sua família vivendo com dificuldades. O dilema vai minando a confiança da esposa, Monica e deixando as crianças entediadas até que a a avó (Youn Yuh-Jung) chega para manter as tradições se não deixar as crianças crescerem americanizadas, além de logicamente movimentar a história.

Minari

Não demora para ela soltar que a filha e o genro “Vieram para os Estados Unidos e esqueceram de tudo”, entrando em conflito especialmente com Jacob, que quer que eles se adaptem e se tornem americanos. Ela representa numa certa alegria em suas vida e o reforço da ancestralidade, da importância em fincar raízes mas sem esquecer da essência — representada pela planta coreana.

Outro personagem que movimenta a trama e serve como um apoio ao de Jacob é o vizinho caipira ultra religioso Paul (Will Patton), que acredita no demônio e na penitência. A peculiaridade dele e da avó não permitem que o clima do drama envolvendo a família pese, deixando tudo um tanto quanto leve na medida do que é possível.

Minari

Sustentando uma estética que lembra Terrence Malick nos bons tempos (Cinzas do Paraíso, Terra de Ninguém), Minari: Em Busca da Felicidade é, especialmente pelos olhos do menino David (Alan S. Kim), um retrato poético ainda que dolorido da imigração nos EUA. Ele, que tem a saúde frágil, se diz fofinho e bem apessoado enquanto a avó faz cara de quem não acredita. São tentativas de imposição que comovem e fazem sorrir e se encontram em meio a perdas, num mosaico de desencantos que são fidedignos às próprias reviravoltas da vida.

“Se machucar é parte de crescer”

E entre degustações de xixi, machucados, choros e abraços, David descobre que é forte. Pega água do riacho e ajuda a vó a cuidar das Minari que crescem em qualquer lugar e abundam como a grama. Logo ele está cuidando dela. A conexão profunda estabelecida emociona.

Minari

A fotografia tão plácida, com as cores quentes e o acalanto do verde das plantações ou da madeira da casa da família, se transforma e ganha contornos mais escuros quando o pessimismo vai se apossando dos personagens e lhes tirando a esperança. O fogo vem e purifica, une. O vínculo inquebrantável daquela família de imigrantes, que logo irá ver o sol brilhar novamente.

Com suas seis indicações ao Oscar, o filme da A24 e Plan B (de Brad Pitt, Dedee Gardner e Jeremy Kleiner) ainda tem Steve Yeun como produtor executivo e pode merecidamente surpreender em alguma categoria como roteiro, atriz coadjuvante ou trilha sonora – belíssima, de Emile Mosseri.

Um grande momento
Banho de tigela

Lorenna Montenegro

Lorenna Montenegro é crítica de cinema, roteirista, jornalista cultural e produtora de conteúdo. É uma Elvira, o Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e membro da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA). Cursou Produção Audiovisual e ministra oficinas e cursos sobre crítica, história e estética do cinema.
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