(Crazy Rich Asians, EUA, 2018)
Comédia
Direção: Jon M. Chu
Elenco: Constance Wu, Henry Golding, Michelle Yeoh, Gemma Chan, Lisa Lu, Awkwafina
Roteiro: Kevin Kwan (romance), Peter Chiarelli, Adele Lim
Duração: 120 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Já não era sem tempo da representatividade tornar-se um questão em Hollywood. Demorou, mas graças a muitas cobranças e pressões, a indústria finalmente voltou os olhos para a diversidade que a compõe. É justamente neste momento de mudança que Podres de Ricos encontra o seu espaço no mercado.

Produzido e distribuído pela Warner Bros., o filme conta com uma equipe majoritariamente oriental para contar uma história também oriental. Dirigido por Jon M. Chu, o filme é adaptado do best-seller “Asiáticos Podres de Ricos”, do singapurense Kevin Kwen.

A história é simples, uma jovem viaja para Singapura com o namorado para o casamento do melhor amigo dele. Ela, porém, não sabe que ele é herdeiro de uma das famílias mais ricas do local. Todos os problemas conhecidos de relações assim acontecem com o casal.

Se o que serve de base para o longa-metragem é batido, a adaptação para as telas também não foge à regra. A estrutura é a de várias outras comédias românticas que encontram o mesmo tema de fundo. Romance, a descoberta, a tensão, e, passo a passo, por aí segue a história.

As diferenças em Podres de Ricos são pontuais, como na primeira sequência que faz questão de expor o preconceito, com a família que chega ensopada no hotel e é maltratada pelos funcionários do local; nos exageros perdulários e bregas dos grupos retratados, ou no modo como retrata a solidariedade da família da amiga no momento de necessidade.

Embora tente trazer alguma mensagem, é no humor que o filme tropeça. A estereotipização e o modo como retrata aquelas pessoas podres de ricas, excluindo todas as demais – que só têm vez na feira e em um salão de Mahjong – é bastante incômodo.

Seria possível, então, atentar-se ao conto de fadas moderno? Apesar da representação um tanto equivocada e antiquada da mulher, sim. Histórias de amor, de maneira geral, costumam precisar dessa ressalva e, embora pudessem ser melhores, ainda conseguem entreter.

Esquemático e pouco original, Podres de Ricos acaba conseguindo construir bem a história do seu carismático casal. Merece pontos também por fazer parte de um movimento de valorização da representatividade, principalmente num país que não se envergonha de sempre tentar ocidentalizar personagens e enredos.

Mas se estava tão preocupado com representatividade, poderia ter se atentando mais para a questão da representação. No final das contas, as duas importam. E se completam.

Um Grande Momento:
Se olhando no casamento.

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