Crítica | Streaming

Spirited: Um Conto Natalino

História recontada

(Spirited, EUA, 2022)
Nota  
  • Gênero: Musical
  • Direção: Sean Anders
  • Roteiro: Sean Anders, John Morris
  • Elenco: Will Ferrell, Ryan Reynolds, Octavia Spencer, Patrick Page, Sunita Mani, Loren G. Woods, Tracy Morgan, Joe Tippett, Marlow Barkley, Aimee Carrero, Andrea Anders, Jen Tullock, Adam Grupper, Rose Byrne
  • Duração: 127 minutos

Se existe uma figura recorrente no Natal, ela é Ebenezer Scrooge, um velho ranzinza e sovina que recebe a visita dos fantasmas do Natal Presente, Passado e Futuro e tem sua vida transformada pela experiência. O personagem é o protagonista da clássica história de Charles Dickens, “Um Conto de Natal”, lançada em 1843 e que já foi adaptada inúmeras vezes para o cinema, com a mais famosa delas em 2009, Os Fantasmas de Scrooge, protagonizada por Jim Carrey, e a mais recente lançada agora pela Netflix, Scrooge: Um Conto de Natal, ainda em cartaz, com as vozes de Luke Evans, Olivia Colman e Jessie Buckley. A história de redenção do avarento, que quer reencontrar a felicidade e aprender a compartilhá-la com todos aqueles que com ele convivem se tornou uma espécie de um dos contos favoritos para representar o espírito natalino.

Além das abordagens literais, há também aquelas que se aproveitam do original para criar narrativas derivadas, atualizadas e com novos personagens. É o caso de Spirited: Um Conto Natalino, musical de Natal da Apple, onde os roteiristas Sean Anders e John Morris, de Família do Bagulho, imaginam o que estaria por trás das redenções de almas desvirtuadas. No caso, uma mega estrutura, bem burocrática, diga-se de passagem, onde os Fantasmas, com vários ajudantes e um chefe muito exigente estudam minuciosamente seu próximo propósito e, uma vez por ano, tem a função de modificá-lo.

Entre eles, está o bondoso e prestativo Fantasma Presente, vivido por Will Ferrell (Escorregando para a Glória). Porém, quando está indo para mais uma de suas missões, descobre um desafio de verdade, o manipulador e inescrupuloso Clint Briggs, personagem de Ryan Reynolds (Deadpool). Ele é um espécie de coach, mistura de Tony Robbins com Steve Bannon, que manipula qualquer plateia e não mede as consequências para alcançar aquilo que deseja. Assim como Ebenezer, muitos traumas o levaram até esse lugar e, com mais habilidade e recursos que o personagem de Dickens, será difícil que se transforme.

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A história é simples e, como um bom filme natalino, previsível, mas nada que atrapalhe a experiência e a diversão. Anders, que também assina a direção, aposta nas muitas cores e impressiona no visual, em números musicais elaborados, com corpo de baile e músicas assinadas pelo duo Pasek and Paul, compositores da famosíssima “City of Stars”, de La La Land, com “Good Afternoon” entre elas, uma das selecionadas na shortlist do Oscar 2023. E há ainda muito espaço para a criação no desenho de produção de Clayton Hartley (Não Olhe para Cima), que vai além do universo mágico dos fantasmas e da frieza empresarial fora dele, já que a narrativa é entrecortada por viagens ao passado tanto de Briggs quanto de Presente, no final dos anos 1700.

Nessa mistura de universos temporais e confronto de personalidades, Spirited: Um Conto Natalino atualiza a tradicional história e diverte ao resgatar personagens, dando a eles, por vezes, outro significado. Com leveza e humor, traz a emoção característica dos filmes de Natal. Mesmo com todo o seu esforço e inventividade, não consegue alcançar o patamar de uma obra-prima, mas faz exatamente aquilo que precisava e se torna uma joia escondida no meio desse mar de filmes verde e vermelhos que tomam conta dos streamings nessa época do ano. Para ver sem medo.

Um grande momento
De volta ao passado de Presente.

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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