Crítica | Streaming

Um Lobisomem Entre Nós

A cidade dorme

(Werewolves Within, EUA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Terror
  • Direção: Josh Ruben
  • Roteiro: Mishna Wolff
  • Elenco: Sam Richardson, Milana Vayntrub, George Basil, Sarah Burns, Michael Chernus, Catherine Curtin, Wayne Duvall, Harvey Guillén, Rebecca Henderson, Cheyenne Jackson, Michaela Watkins, Glenn Fleshler, Patrick M. Walsh, Anni Krueger
  • Duração: 97 minutos

Tudo começou com um baralho, onde as cartas representavam papéis; se não havia baralho, usava-se qualquer coisa onde se pudesse escrever e a cidade dormia, até que as cartas foram ficando mais especializadas, não eram mais emprestadas, eram próprias. Veio o jogo de videogame e, depois, o filme, Um Lobisomem Entre Nós, que após uma bem sucedida carreira por festivais de fantasia agora está disponível no Prime Video. Nele, os personagens e a trama ganham vida e uma trama.

Na cidade do interior, o recém-chegado guarda florestal Finn Wheeler, vivido pelo comediante Sam Richardson, encontra os primeiros ataques e encabeça a investigação para descobrir quem dos moradores durante a noite transforma-se em lobisomem e mata os outros cidadãos. Após o primeiro ataque, os poucos personagens são confinados em um mesmo ambiente, a pensão de Jeanine, e o jogo começa. Com papéis bem determinados, há todo aquele jogo de suspense e acusações.

Com roteiro da escritora e comediante Mishna Wolff e direção de Josh Ruben, o longa usa bem a fórmula dos filmes de detetive e sabe como mesclar o humor e o terror. A distribuição dos eventos, vai num crescente, é equilibrada e ágil, conferindo uma cadência envolvente. Lembrando os personagens do videogame que o inspirou, e para aqueles que não o conhecem, dos jogos que o antecederam, encontra um terreno fértil e interessante para construir sua história, prendendo o espectador tanto pela identificação como pela dinâmica que esse tipo de trama causa. 

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Um Lobisomem Entre Nós
IFC Films

A cidade acorda

Se o policial/detetive surge como uma figura central, aquele que tem o poder de investigar e descobrir o lobisomem, aqui não é diferente. E Richardson, conhecido pela série Vice e filmes como A Guerra do Amanhã, se sai muito bem com seu personagem com background de bobão inseguro que precisa assumir uma postura proativa e de liderança. Aliás, o elenco, que conta com nomes como Milana Vayntrub, George Basil, Catherine Curtin, Wayne Duvall e Rebecca Henderson é uma atração à parte, com atores com timing cômico preciso e boa química entre eles. Da histeria de Trisha (Michaela Watkins), a que anuncia a existência do monstro, à truculência de Emerson (Glenn Fleshler), o primeiro suspeito, há tempo para que cada um tenha seus momentos, sem que barras sejam forçadas.

É divertido ver todos juntos, principalmente quando o jogo de acusações começa e outras questões que o roteiro também quer tratar são trazidas à tona. Do mesmo jeito, Ruben consegue levar essa tensão, e até aumentá-la, na hora em que os moradores da cidade dão o próximo passo. Atentando para o grafismo da violência, maquiagem e efeitos especiais, no final das contas, o que não falta a Um Lobisomem Entre Nós é diversão, algo que dificilmente consegue se concretizar na adaptação de games.

Sim, é preciso levar em conta que um RPG — role playing game, ou jogo de interpretação de papéis — e ao mesmo tempo jogo de dedução abre muitas possibilidades criativas, uma liberdade que Wolff soube aproveitar bem, enquanto outros filmes com “origem” próxima, como Dungeon & Dragons ou Em Nome do Rei, não conseguiram. Aliás, não despertaram nada além de vergonha e foram fracassos retumbantes. Tudo funciona em Um Lobisomem Entre Nós porque o filme soube investir no básico, olhou para os personagens e deu tempo para que a trama se desenvolvesse. Vai ser algo que vai ficar para sempre ou vai durar muito? Não! Mas enquanto estivermos ali naquela cidade isolada e sem luz, acompanhando a busca pelo lobisomem, vamos nos divertir muito.

Um grande momento
“The Sign”

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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