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Um Sonho Possível

(The Blind Side, EUA, 2009)

O tempo passa, as coisas mudam, mas há filmes que, independente de sua qualidade técnica e artísticas, vão sempre cair no gosto popular. Pelo menos é assim com a maioria dos melodramas produzidos por aí, principalmente se seu elenco contar com a participação de nomes de grande apelo.

Um Sonho Possível é mais um melodrama daqueles de superação que estamos acostumados a encontrar por aí e que tem como grande vantagem trazer Sandra Bullock no papel da mulher forte, determinada e acolhedora. Indicada nas principais premiações e vencedora do Globo de Ouro, ela está mesmo bem como a republicana Leigh Anne Tuohy, mas nada que seja tão extraordinário assim. Para mim, até em A Proposta ela está melhor, mas isso é uma outra história.

Voltando ao filme, ele conta a história de Michael Oher, um jovem negro e sem futuro que é levado por um amigo a uma escola fora de sua realidade e consegue uma bolsa por sua desenvoltura em atividades atléticas. Sem ninguém na sua vida, o jovem sabe como se preservar, mas nunca aprendeu a conviver com os outros.

Uma noite fria, saindo da escola, conhece Leigh Anne, uma dondoca rica de coração bom que não sabe muito bem o que fazer com seu dinheiro e acaba levando o grandalhão para casa. Os dois começam a se relacionar como mãe e filho e ele demonstra que nasceu para ser um campeão de futebol americano.

Tudo muito bonitinho e no lugar como pede qualquer telefilme de drama do Hallmark Channel e da HBO, com a história real dessa trajetória rumo ao sucesso. Com clichês devidamente integrados ao resultado final, o filme acaba sendo bonitinho e consegue causar alguma emoção.

O roteiro dá conta da história de vida do novo integrante da familia Tuohy e não deixa de abordar temas como preconceito, desfavorecimento e autoconfiança. Porém, derrapa ao construir personagens superficiais e, em alguns momentos, pouco críveis.O sentimento piora a cada reunião de Leigh Anne com as amigas e com alguns discursos prontos já manjados e cheios de frases de efeitos.

Apesar dos pesares, o filme tem um mérito: a vontade de ver como aquilo tudo termina acaba superando os problemas e a experiência não é dolorida. As cenas de futebol deixam a tarefa ainda mais fácil, apesar de sabermos que estão sendo usadas também para minimizar problemas.

Voltando à atuação de Sandra Bullock, ela é correta, esforçada e, pelo que dizem, reflete bem a personagem na vida real, mas não chega nem perto de ser alguma coisa tão sensacional assim. Nem a atuação, nem a personagem. A performance de Quinton Aaron me impressionou muito mais, com seu silêncio e expressão de perdido.

Tim McGraw, Kathy Bates e Kim Dickens também fazem parte do elenco, assim como o engraçadinho Jae Head, que dá vida ao divertido filho caçula da família.

Sem grandes preocupações com planos, trilha e montagem, John Lee Hancock prepara um bom e velho feijão com arroz que é eficiente mas está longe de ser inesquecível. Com seu enredo e Sandra Bullock tem tudo para fazer sucesso nas bilheterias e nas Sessões da Tarde do futuro.

Um Grande Momento

Começando a treinar futebol americano.

Logo-Oscar1Oscar 2010
Melhor Atriz (Sandra Bullock)

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Drama
Direção: John Lee Hancock
Elenco: Sandra Bullock, Quinton Aaron, Tim McGraw, Kathy Bates, Kim Dickens, Joe Head, Lily Collins, Ray McKinnon, Adriane Lenox
Roteiro: Michael Lewis (livro), John Lee Hancock
Duração:128 min.
Minha nota: 5/10

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

10 Comentários

  1. É um bom filme, mas longe de merecer uma indicação ao Oscar. É por isso que eu acho que os cinéfilos pegam tanto no pé de Um Sonho Possível…

  2. Cecilia, ainda não assiti ao filme, mas lendo seu post e os comentários quero tirar a dúvida em relação a atuação de Bullock e do resto do elenco.
    Parabéns pelo blog, já venho acompanhando a algum tempo, mas ainda não havia comentado.

    Muito legal!
    Abraço,

    Julio Cirello
    colaborador do portal http://www.queroviverbem.com.br

  3. É, um filme bonitinho, como vocE^falou. Gostei, mas não adorei, fora que tudo é muito fácil para o Big Mike, heim? Quase não há conflito em sua trajetória.

    Quanto a atuação de Bullock é exatamente isso, está bem, mas nada de fantástico, seu prêmio vai ser algo semelhante a Gwyneth Paltrow em Shakespeare Apaixonado, no futuro vão dizer: "mas ela ganhou por isso?".
    bjs

  4. Apesar de muitos não acreditarem neste filme e na atuação de Bullock, sua performance está sim entre as melhores do ano e após o filme ter chegado a categoria principal do Oscar isso só mostra que Bullock está pronta pra receber seu Oscar.

  5. Nossa, e esse filme ainda foi indicado ao Oscar de melhor filme? Gafe do ano? Veremos… não estou muito ansioso em conferi-lo.

  6. Bullock está pegajosa nesse papel. Gostei dela, mas de fato não chega perto da Helen Mirren e da Streep. Acho que o Oscar estraga ainda mais o filme em si, só o ajuda em sua bilheteria mesmo.

    Beijos!

  7. belo review… apesar de eu ter encontrado mais pontos positivos do que você, concordo com bastante coisa que você falou.

    certamente é um filme no estilão sessão da tarde!

  8. É um filme OK, só não merecia alcançar todo o reconhecimento que teve – até mesmo quanto à atuação da Bullock, que não chega a ser uma das melhores do ano mesmo.

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