Crítica | Outras metragens

Cabidela’s Bar

Resgate e tradição

(Cabidela's Bar, BRA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Ficção
  • Direção: Tadeu de Brito
  • Roteiro: Tadeu de Brito
  • Elenco: Marcio de Paula, Totonho, Ingrid Trigueiro, Buda Lira
  • Duração: 17 minutos

Como se seguisse no fluxo da memória, o curta Cabidela’s Bar quer chegar naquele lugar que nos lembra alguém que amamos muito. Ali, o pai, que morando na beira da praia nem sempre saia para pescar, foi perdendo a audição, passava horas em silêncio, dava milho às galinhas e mantinha a tradição da família fazendo uma cabidela que todos no lugar apreciavam.

Em seu filme de afetos, Tadeu de Brito passeia entre tempos, brinca com presente e passado, marca as passagens e o espaço temporal. Com a presença, apresenta o vazio. É aí que encontra a força do curta, quando consegue realizar na tela a força dessa ausência e as marcas da relação pai e filho na personalidade do protagonista. 

A relação de passagem também está ali, não só com o passado e as reminiscências da memória, mas no decorrer das horas, na noção de observação e espera. Em encontros que se mostram, de pai e filho, com a companheira do pai, com o vizinho; ou naqueles que se dão, dos personagens com o público, é uma percepção que está sempre sendo pontuada.

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A questão de Cabidela’s Bar é que, embora o filme se encontre na identificação, na proximidade das relações familiares, há um certo desacerto no tempo das atuações e na montagem, que costura eventos aleatórios sem se preocupar com o crescente das situações. O estranhamento e o inesperado que até fazem bem se perdem em algumas obviedades.

Essa irregularidade pode ser amenizada pela afetividade do curta, que traz uma bonita mensagem de resgate, volta às origens e tradição, mas enfraquece um conjunto que estética e narrativamente tinha muitos elementos para chegar mais longe se mais rigoroso na execução e menos apegado na montagem.

Um grande momento
Cadeira vazia

[16º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro]

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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