Crítica | Outras metragens

O Pato

(O Pato, BRA, 2020)
Nota  
  • Gênero: Ficção
  • Direção: Antônio Galdino
  • Roteiro: Fernando Domingos
  • Elenco: Norma Goes, Ana Júlia Barbo
  • Duração: 12 minutos

A violência cotidiana, que tira tudo, que esgota, que destrói, que exaure. Há um corpo que segue, mas está cansado de ser violado e há um futuro que observa e dá esperança. Os algozes não precisam de rosto, são muitos, estão em todos os lugares e têm várias formas.

O Pato conta uma história que a gente já viu antes, mas sua mensagem vai além e abarca mais do que aquilo que está na superfície do filme. Se o tema evidente é sempre fundamental, por trás dele pode se ver representada em símbolos a repetição de subjugação que não está só em casa. 

Porém, nada é óbvio e evidente. É um filme de tempo, de detalhes, que vem como choque e vai assentando aos poucos. O Pato provoca intra e extrafilmicamente, desde seu enigmático título até à quebra da quarta parede, passando pelo simbólico banho do novo no velho.

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É impossível falar do curta e não destacar a atuação de Norma Goes. Dona das cenas, seus olhares e gestos, o modo como ela incorpora a raiva e a potência com que extravasa cada um de seus sentimentos definem o andar da trama. Mais do que a mulher vítima de violência doméstica, é o símbolo desse presente que precisa da ruptura.

Ainda que com algo de pretensão, O Pato vem vestido de familiaridade, de reconhecido, para trazer o desassossego do “o quê estou vendo?”, do “por quê assim?”. É no mostrar do mesmo que possibilita associações e novas reflexões sobre velhos temas, domésticos e sociais, particulares e coletivos.

Um grande momento
Os dedos

[16º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro]

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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