Crítica | Festival

Fourth Grade

Agora em inglês

(Fourth Grade, EUA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Comédia
  • Direção: Marcelo Galvão
  • Roteiro: Marcelo Galvão
  • Elenco: Mena Suvari, Teri Polo, William Baldwin, Robert Pine, Boti Bliss, Challen Cates, Taja V. Simpson, Roland Kickinger, Pamela Dunlap, Ben Begley, Jamison Jones, Rob Norton, Keli Daniels, Rigan Machado
  • Duração: 80 minutos

Em 2005 Marcelo Galvão lançava nos cinemas Quarta B, a história de um grupo de pais que faziam de tudo para que seus filhos não fossem expulsos da escola depois que um tijolo de maconha era encontrado na sala deles. Seis longas depois, sendo o último deles — Matador — distribuído pela gigante de streaming Netflix, levou a história para outras terras. Agora o nome é Fourth Grade, o idioma é o inglês, o elenco conta com nomes como Mena Suvari (Beleza Americana), Teri Polo (trilogia Entrando Numa Fria) e William Baldwin (Invasão de Privacidade), o argumento se mantém o mesma.

Chamados para uma reunião de emergência, os pais dos alunos vão chegando aos poucos e a diferença entre eles é destacada de maneira. A primeira a chegar é Kate, a insuportável. Figura típica e estereotipada, é aquela mãe que tudo controla e que se acha melhor que todos. Depois dela vêm outras figuras, o submisso, o desprezado, a desconfiada, o inconveniente, a insegura, a excluída, a esquisitona, o metido, a fútil, a iludida e, por último, o divertido e mais legal de todos.

Como não poderia deixar de ser, a trama de Fourth Grade se sustenta na dinâmica entre os personagens. Seguindo outros exemplares de câmara que tomam o modelo sartriano, cada um, ou cada um de seus rebentos, não têm nenhum problema, muito mais fácil é apontar o dedo ao outro. Embora haja alguma diversão na constituição desses personagens, tudo é muito certinho e o modo como Galvão tenta justificar a inclusão com o casal de idosos, que adotou uma das crianças; ou o casal de lésbicas que tem problemas de comunicação, é incômodo.

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Sem grandes inovações, o roteiro segue funcional por boa parte do tempo, mas tem alguns tropeços no meio do caminho, como as discussões entre Hilary (Challen Cates) e Lisa (Taja V. Simpson), talvez as personagens mais problemáticas do longa, e a culpa nem é tanto das atrizes, mas da pouca substância dos diálogos escritos. A cena sobre o comportamento da filha e a outra, sobre a reabilitação, são extremamente pobres de texto. A sorte do filme é que são muitos personagens e, além delas, muitos outros têm carisma, como o casal ranzinza Bob (Robert Pine) e Vera (Pamela Dunlap).

Fourth Grade tem muitas facilidades, como a vontade de criar um casal desnecessário entre Barbara (Survari) e Eddie (Ben Begley), justificando a solteirice dele com o abandono da mulher depois da fuga com um sambista para o Brasil; ou a ingenuidade de Natasha (Boti Bliss) com sua chance de virar atriz de uma hora para a outra. Isso sem falar na trilha sonora engraçadinha e na repetição dos mesmos — mas sempre funcionais — efeitos de lentes para cenas de chapação. Às vezes é um filme que dá certo, às vezes não. E assim vai oscilando, mas pode até funcionar para aqueles que só querem uma diversão passageira.

Um grande momento
Eu sou empresária da Katharine.

[49º Festival de Cinema de Gramado]

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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