O reencontro do jovem Javi com Porto Rico não acontece da melhor maneira. Vem quando a morte interrompe a rotina e o obriga a revisitar lugares, pessoas e lembranças que ficaram para trás. Carlitos Ruiz-Ruiz parte desse lugar para falar sobre pertencimento e descoberta, encontrando naquele verão uma espécie de intervalo entre quem o protagonista foi e quem ainda está aprendendo a ser.
A adolescência é um dos territórios mais explorados pelo cinema, mas continua oferecendo novas possibilidades porque cada geração vive seus próprios conflitos, assim como individualidades podem transformar a jornada. Em Summer of Three, o amadurecimento surge das experiências amorosas e sexuais, mas também da relação de Javi com uma terra natal que lhe é familiar e estranha ao mesmo tempo. Ele enxerga Porto Rico com o olhar de quem retorna para casa e, ao mesmo tempo, de quem passou tempo demais distante para ocupar esse lugar.
É nesse contexto que entram Luife e Kiki. A aproximação entre os três conduz a trama e dá forma às inquietações do protagonista. O filme observa com delicadeza o nascimento do desejo, as ambiguidades da atração e a intensidade com que os sentimentos costumam ser vividos nessa fase da vida. Há paixão, há tesão e há também a confusão inevitável de quem tenta compreender as próprias emoções.
O roteiro evita transformar essas descobertas em grandes dramas ou determinações. O interesse está nos gestos, nos silêncios, nos momentos em que os personagens experimentam novas formas de proximidade sem saber exatamente onde elas vão levá-los. Essa atenção aos detalhes ajuda o filme a capturar algo muito particular da juventude: a sensação de que cada encontro pode alterar o rumo das coisas.
Ao mesmo tempo, a narrativa é atravessada por ausências. O filme entende que crescer também significa aprender a conviver com aquilo que não pode ser recuperado. De um lado está o funeral que traz Javi de volta para casa é um lembrete constante da perda. De outro, a distância da família, os anos vividos longe da ilha e as marcas deixadas pelas separações anteriores, que também ajudam a moldar a forma como ele se relaciona com os outros.
E é nesse ponto que Summer of Three se destaca de tantos outros filmes sobre amadurecimento. Entre os romances de verão, os ritos de passagem e as descobertas da adolescência, Carlitos Ruiz-Ruiz constrói uma história sobre jovens tentando ocupar espaços que ainda não sabem exatamente como habitar. O amor, a amizade e o desejo aparecem como parte do processo, mas são as ausências que dão profundidade ao percurso. Afinal, muitas vezes é a partir daquilo que falta que começamos a entender quem somos.
Um grande momento
Sem Luife


