(Wonder Wheel, EUA, 2017)
Drama
Direção: Woody Allen
Elenco: Kate Winslet, Jim Belushi, Juno Temple, Justin Timberlake, Max Casella, Jack Gore, David Krumholtz
Roteiro: Woody Allen
Duração: 101 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Um parque de diversões na Coney Island dos anos 1950, é neste lugar que, com muita cor e muita luz, Woody Allen (Café Society) ambienta a história de Roda Gigante. O exagero visual combina com os primeiros elementos do roteiro que o diretor apresenta, por meio de seu narrador, ao espectador. Aquela história é contada por um aspirante a dramaturgo encantado por personagens exagerados – que ele chama de fortes – e pelo melodrama fácil.

Como numa colcha de retalhos referencial, até pela evidente falta de talento do dramaturgo-narrador, os que estão em tela são claras derivações de outros personagens conhecidos da dramaturgia estadunidense, juntando em uma só persona passagens que vão de Tennessee Williams a Eugene O’Neill ou de Edward Albee a Arthur Miller. Seguindo o mesmo caminho, não há no filme nenhuma tentativa de se afastar da aura de montagens teatrais menores e menos profissionais, citadas incessantemente nos diálogos.

A brincadeira de Allen começa na construção desse universo brega e amador – completamente diverso do habitual – e na exposição do que há de comum e humano naqueles que nele existem. Em meio a tanta luminosidade, literalmente, é a miséria humana que salta aos olhos, numa incoerência sensorial arriscada e que funciona muito bem. As velhas histórias e a conhecida análise da psiquê humana encontram um novo lugar para acontecer, como se pudessem estar em qualquer lugar e ser contadas da mesma maneira.

O jogo narrativo funciona muito bem, porém há problemas difíceis de serem ignorados em Roda Gigante. O desequilíbrio das atuações é, sem dúvida, o maior deles. Enquanto Kate Winslet (Steve Jobs) e Jim Belushi (O Escritor Fantasma) brilham em cena, principalmente nos dois momentos que remetem a Norma Desmond e Stanley Kowalski, Justin Timberlake (O Preço do Amanhã), o narrador Mickey, derruba todas aquelas em que participa. Não há profundidade, técnica ou verdade em sua atuação, e a quebra de ritmo é evidente em cenas mais longas. Entre os dois extremos estão Juno Templo (Aliança do Crime) e Jack Gore (Somos o que Somos), este com o personagem mais original e homogêneo, a quem cabe representar, também literalmente, a ruptura com aquela estrutura propositalmente falha.

Mesmo que tenha problemas, o filme é uma experiência interessante por tudo aquilo que cria e pelo modo como o faz. Ao dar a liberdade de constituição a um de seus personagens, aquele que enxerga e reconta à sua maneira a história, encontra a possibilidade de inventar um caminho diverso do de Allen para depois abrir espaço aos aprofundamentos que fazem parte zona de conforto do diretor. São histórias dentro de histórias, onde ego e alter egos distintos encontram-se e convivem bem.

Mais uma vez, Woody Allen usa sua habilidade com as palavras para criar uma obra única, que, mesmo sendo o remendo de várias referências, é extremamente original.

Um Grande Momento:
O desespero de Humpty.

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