(Sócrates, BRA, 2018)
Drama
Direção: Alex Moratto
Elenco: Christian Malheiros, Tales Ordakji, Caio Martinez Pacheco, Rosane Paulo, Jayme Rodrigues
Roteiro: Thayná Mantesso, Alex Moratto
Duração: 71 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Dirigido por Alex Moratto, Sócrates é o primeiro longa-metragem realizado pelo Instituto Querô, OSCIP em Santos que utiliza o audiovisual como ferramenta de inclusão e desenvolvimento de jovens que vivem em condições de alto risco social. Segundo o próprio diretor, o filme é o resultado do trabalho conjunto com esses jovens, que participaram em vários momentos cruciais do projeto.

Depois de perder a mãe, Sócrates se vê sozinho em um mundo que não o aceita. A perda abre o longa, numa cena impactante que cria uma imediata ligação com quem o assiste, mesmo que isso vá se perdendo com o desenrolar da trama. De modo geral, a construção de heróis que precisam superar a desgraça a cada novo acontecimento acha seu valor na resposta de piedade que costuma existir. É funcional, mas pouco original e fácil.

O roteiro de Sócrates busca soluções já tantas vezes vistas para costurar a trama e investe pesado na desgraça. Por um lado parece ter encontrado o facilitador perfeito para conectar-se com o público, por outro parece acreditar realmente que histórias precisam ser contadas desta maneira para ter valor.

Com o roteiro entregue à fórmula, o filme encontra a distinção em sua concepção estética. Apesar dos batidos planos de costas, de alguns fades injustificados e da trilha manipuladora, Moratto consegue dialogar visualmente com a história que conta. Há momentos inspirados na fotografia de João Gabriel de Queiroz, em inovações e composições de cenas.

A atuação de Christian Malheiros, indicada ao Spirits Award, é outro ponto positivo do longa. O ator consegue transmitir seu medo, desespero, raiva e, em raros momentos, alegria. Outras atuações também chamam a atenção, apesar de haver um desequilíbrio no conjunto geral.

Sócrates traz uma mensagem importante sobre preconceitos e o quão eles são mais profundos em comunidades mais carentes; sobre a contradição da lógica religiosa superar a lógica humana; e sobre a ausência de empatia no mundo de hoje. A complicação, porém, está no modo como faz isso, nos excessos e no uso da desgraça como suporte estético e narrativo.

Um Grande Momento:
“Mãe!”

Links

No IMDb

[42ª Mostra de São Paulo]