Crítica | Streaming

Star Wars: A Ascenção Skywalker

(Star Wars: Episode IX – The Rise of Skywalker, EUA, 2019)
Ficção científica
Direção: J.J. Abrams
Elenco: Daisy Ridley, Adam Driver, Billie Lourd, Keri Russell, Carrie Fisher, Mark Hamill, Ian McDiarmid, Kelly Marie Tran, Andy Serkis, Lupita Nyong’o, Oscar Isaac, Domhnall Gleeson, John Boyega, Billy Dee Williams, Joonas Suotamo, Dominic Monaghan, Richard E. Grant, Anthony Daniels, Naomi Ackie, Greg Grunberg, Jimmy Vee
Roteiro: Chris Terrio, J.J. Abrams
Duração: 141 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Já são 42 anos de uma história que gerou muitos fãs e muito dinheiro ao redor do planeta. Em uma galáxia distante, o clã Skywalker descobre sua intrincada trama familiar em meio a uma conspiração interplanetária de tomada de poder e resistência, com direito a trilogia principal, trilogia prévia, trilogia de resgate, universos paralelos, animações, quadrinhos e mais uma infinidades de materiais inspirados e baseados na mitologia criada por George Lucas.

Seguindo a linha do tempo, a história da Aliança Rebelde, liderada pelos irmãos Luke e Leia Skywalker e Han Solo, e o Império Intergalático comandado por Palpatine e seu chefe das armas Darth Vader, encontra uma nova realidade após a retomada da democracia a as novas ameaças do lado sombrio agora sob o nome de A Primeira Ordem. Agradando aos fãs, velhos nomes dividem o espaço com novos rostos. A renovação conta com Rey, Finn, Poe, BB-8 e o nem tão bem-quisto Kylo Ren.

Quando chegou aos cinemas, em 2015, pelas mãos de J.J. Abrams a retomada da franquia clássica, Star Wars: O Despertar da Força vinha cheio de expectativas. Abrams é reconhecido pela atenção e reverência a originais, costumando agradar a fãs de franquias históricas, como já demonstrara em outro grande clássico de ficção científica, Star Trek, sem deixar de se permitir ousadias aqui e ali. E não foi diferente.

Embora a narrativa tenha mantido a mesmo padrão básico de desenvolvimento, sem grandes alterações na fórmula e bastante apegada à nostalgia, algumas pequenas inserções, principalmente de adequações de representatividade foram tentadas, nem todas bem recebidas.

Alterações mais radicais vieram quando o inventivo Rian Johnson assumiu a sequência, Star Wars: Os Últimos Jedi. Ali houve toda uma reformulação de abordagem, de linguagem. Rian criou um novo conceito por trás da franquia e, mesmo mantendo muita coisa que não precisava, trouxe um quê de cinema que não era comum à série. Foi abominado.

O resultado foi Star Wars: A Ascensão Skywalker ou a pasteurização do cinema feito para agradar aqueles que não podem ver nada diferente do que estão acostumados, num círculo vicioso infinito. Novamente assinado por J.J. Abrams, o filme retorna ao final de Últimos Jedi para desfazer tudo o que o filme fez e restabelecer caminhos bem antiquados com aquela primeira franquia dos anos 1970.

A favor do filme, toda a conexão já estabelecida com cada um daqueles personagens e com aquele universo fantástico, além de toda a tecnologia de ponta com efeitos especiais. É muito fácil fazer com que o público se interesse por qualquer história que envolva personagens que ele conhece há tantos anos e em um ambiente com tantas cores e em um visual tão envolvente. Ele vai torcer por aquela pessoa, vai chorar, vai se emocionar e nem sempre por algo que acontece naquele filme, isso é algo que Abrams sabe muito bem e, aqui, usa desbragadamente.

Usa tanto que chega a ser preguiçoso até. O roteiro tem vários momentos de gratuidade, onde os eventos estão ancorados em outros inexistentes no filme. Alguns surgem como Deus ex machina mesmo, sem qualquer pudor, outros como uma possibilidade de fechar alguma coisa que ficou aberta ou mesmo alguma coisa que não conseguem encerrar.

Outra falha grave de roteiro é o modo como não se consegue estabelecer uma personagem equilibrada para Kylo e Rey e, pior, se ignora a tensão entre os dois criada anteriormente. A falha interfere no decorrer de todo o filme, já que eles são antagonistas naturais. Outros personagens, vários, recebem menos atenção ainda.

Mas Star Wars: A Ascensão Skywalker é um filme divertido, com boas cenas de luta, boas cenas de humor e que joga para os fãs. Um longa que sabe esconder cada um de seus defeitos na força de estar ali mais uma vez com Leia, Han, Luke, Lando, Chewbacca, C-3PO, R2-D2 desfilando na tela. J.J. Abrams já fez melhor do que isso.

Um Grande Momento:
“Ela faz isso com a gente também?”.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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