(Ahlat Ağacı, TUR/MKD/FRA/ALE/BIH/BUL/SWE, 2018)
Drama
Direção: Nuri Bilge Ceylan
Elenco: Dogu Demirkol, Murat Cemcir, Bennu Yildirimlar, Öner Erkan, Ahmet Rifat Sungar, Akin Aksu, Kubilay Tunçer, Tamer Levent, Ercüment Balakoglu, Kadir Çermik, Özay Fecht, Sencar Sagdic, Asena Keskinci
Roteiro: Nuri Bilge Ceylan, Akin Aksu, Ebru Ceylan
Duração: 188 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Com muitas palavras Nuri Bilge Ceylan constrói aos poucos o protagonista de A Árvore dos Frutos Selvagens. O jovem Sinan, que acabou seus estudos em Istambul e retorna a Anatólia com o desejo de tornar-se um escritor bem-sucedido. Ele é como alguém fora de seu tempo e, em sua arrogância e rebeldia, tenta mudar essa realidade em longos embates orais com as várias pessoas que cruzam o seu caminho.

O aspirante a escritor tem que se encontrar entre o sonho e a realidade, vendo como única opção o caminho seguido por seu pai no magistério. Essa relação, desgastada com o tempo, é construída mais pelos outros do que pelos dois. A imagem que Sinan tem do pai deriva da imagem que sua mãe, amigos e conhecidos têm e há algo natural no vínculo que ele despreza.

Bastante literal, é nessa árvore de frutos selvagens que ambos se encontram na narrativa de Ceylan. Lá estão representados em imagens (a corda e as formigas) e em sentidos (a contrariedade com o mundo, o desgaste e a descrença). Nessa reconstituição sentimental, o diretor é um poeta e cativa.

Porém, são momentos isolados entre vários diálogos que parecem prolongar-se sem chegar a lugares efetivos. A profusão de palavras, que tentam dar conta de aspectos sociais, econômicos, religiosos, artísticos, amorosos e familiares trazem muito conteúdo, mas ao mesmo tempo cansaço. Ora agradando, ora exaurindo. Nesse encontrar de palavras, está o que move a própria arte ansiada pelo protagonista, e isso interessa, mas não é funcional como deveria.

Esteticamente, A Árvore dos Frutos Selvagens encontra-se um pouco distante de Sono de Inverno e Era uma Vez em Anatólia, seus filmes anteriores. As muitas cores quentes e contrastes criam um ambiente diferente do esperado, mas compõem bem o pano de fundo para diálogos que tentam estar mais próximo de uma visão humanista, nem sempre bem sucedida, dos personagens.

O aconchego visual, em imagens por vezes belas, por vezes cotidianas, apazígua o tempo gasto com as palavras nas longas cenas, mas não o bastante. Por mais que faça sentido, que traga tanta coisa que precisa ser descoberta, inclusive em associações, o longa é mais cansativo do que impressionante. Mas ainda assim é muito impressionante.

Um Grande Momento:
O bebê.

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