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A Tale Best Forgotten

Em companhia de Anúbis

(The Tale Best Forgotten, SWE, 2020)
Nota  
  • Gênero: Terror
  • Direção: Tomas Stark
  • Roteiro: Tomas Stark
  • Elenco: Jerker Beckman, Julia Sporre, Adam Stålhammar, Ola Wallinder
  • Duração: 5 minutos

Hail! Most Holy ANUBIS.

As palavras de Helen Adam, poetisa escocesa conhecida por seus poemas campestres místicos, ganham vida nesse curta homônimo de Tomas Stark. A Tale Best Forgotten é uma balada gótica sinistra, com trama suficiente para ser filmada no modelo padrão, mas tem no seu padrão circular o diferencial que a torna complexa à adaptação. Porém, o diretor consegue encontrar um caminho para fazer jus à surpresa com a qual a escritora “encerra” sua obra.

In a house by a river that lamented as it ran,
Lived a father, and his daughter, and the dog-headed man.
A father, and his daughter, and the dog-headed man!
It’s a tale best forgotten, but before the tale began
From the house to the river limped the dog-headed man.
Blood swelled the river before the tale began.

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Se nas páginas partimos da saudação a Anúbis, na tela, é com o travelling vertical que conhecemos a terra onde a filha, o pai, o amante e o homem com cabeça de cachorro habitam. Ali estão a casa e o rio, o sangue e os ossos, e o deus egípcio da morte, a representação do círculo infinito. Aquele mesmo que se confunde entre água e ar. A imagem é simples e potente.

A Tale Best Forgotten

Em A Tale Best Forgotten, Stark se joga nas palavras de Adam e, mais do que conseguir senti-las e transmiti-las, valoriza-as com sua interpretação. Faz parte disso a habilidade do diretor na construção da atmosfera. A diferença nos tempos com que faz as revelações, como quando revela sua personagem de ligação entre tempos e universos, a filha, e retorna após o primeiro baque.

In the garden, in the garden, while the river slowly ran,
Walked the daughter, and her lover, and the dog-headed man.
The daughter, and her lover, and the dog-headed man!
It’s a tale best forgotten, but before the tale began
His daughter, by the river that reflected as it ran,
Fed the bones of her lover to the dog-headed man.

O próprio modo com que assume a circularidade em The Tale Best Forgotten é importante na construção e manutenção do horror, principalmente pela possibilidade de causar no espectador a confusão entre o que, em cena, é real e os limites das criaturas que habitam aquele conto. Mas é aquilo, o cão, ou Anúbis, está alimentado desde o começo. Ao fim e ao cabo, estamos sempre alimentando os monstros que habitam — e apavoram — o nosso inconsciente, nossos reflexos. Principalmente a morte.

Dog Head he was fed before the tale began.

Um grande momento
Lavando a mão

[SXSW 2021 – Film Festival]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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