Crítica | Outras metragens

AzulScuro

Medo em 5G

(AzulScuro, BRA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Terror
  • Direção: Evandro Caixeta, João Gilberto Lara
  • Roteiro: Evandro Caixeta, André Oliveira
  • Elenco: Larissa Bocchino, Lavínia Bocchino
  • Duração: 15 minutos

O cinema em outras telas já se tornou uma realidade. São muitos os filmes que usam a tecnologia de captação de imagem por dispositivos para contar suas histórias. Do suspense Buscando… aos exemplares de horror Amizade Desfeita e Host, passando pelo drama brasilero Fervendo, não faltam exemplos para mostrar como é possível usar câmeras de celulares, chamadas de vídeo e videoconferências para criar novas narrativas. AzulScuro é um desses filmes. 

O curta-metragem brasileiro selecionado para o Fantasia Film Festival deste ano é dirigido pelos mineiros João Gilberto Lara e Evandro Caixeta e vai buscar sua tensão em um mistério não solucionado do passado. O formato é todo digital, com direito a aplicativo de música, troca de mensagens, pesquisas em site de busca e página de notícias, além, é óbvio, de câmera e galeria de fotos. 

A protagonista é Sofia, uma jovem que está sozinha em casa no dia do aniversário de um ano de sumiço de sua irmã. O cinema de terror, assim como qualquer outra obra do gênero, vive do sentimento de medo que o conhecido provoca. O estar só, em uma situação como essa é ameaçador, é assustador, e apenas isso já é o suficiente para causar o desconforto. Quando novos elementos vão sendo adicionados à trama, a insegurança da personagem e do espectador naturalmente aumenta. 

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AzulScuro
© Qu4rto Studio

Os diretores têm um bom domínio da tensão e jogam bem com os elementos digitais. Há momentos interessantes, mesmo quando o excesso se apresenta, como é o caso da amiga inconveniente que, embora exista na vida real, no roteiro é expositiva demais. A única questão está naquilo que se percebe que Lara e Caixeta tentam evitar com seus glitchs e fades: a imagem, ainda que desenhada da ameaça.

Chega-se aqui a um ponto recorrente no cinema de terror: a exposição. Por que é preciso que haja um elemento gráfico além das sombras tão eficientes e dúbias em AzulScuro? O desenho, ou melhor, os vários desenhos, empobrecem a narrativa e enfraquecem o medo ao distanciar aquela história dos que poderiam vivê-la, do mesmo jeito. Ainda mais com a aproximação do dispositivo.

É o que faz o filme chegar mais fraco ao final, que tenta se recuperar ao deixar a quem assiste ao filme a possibilidade de interpretar aquilo que está vendo. Porém, não são desenhos que vão apagar toda a tensão que o filme despertou. AzulScuro é, sim, um filme com falhas, mas é um curta corajoso, bem desenvolvido e que deixa o nome de seus diretores como aqueles que devem ser observados, principalmente nessa seara de construção digital.

Um grande momento
“Você está sozinha aí?”

[25º Fantasia International Film Festival]

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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