Crítica | Outras metragens

Portugal Pequeno

Virar gente grande

(Portugal Pequeno, BRA, 2020)
Nota  
  • Gênero: Ficção
  • Direção: Victor Quintanilha
  • Roteiro: Victor Quintanilha
  • Elenco: Joao Vitor Nascimento, Wilson Rabelo, Matheus Campinho, Danilo Martins
  • Duração: 19 minutos

O filme Portugal Pequeno é todo atravessado pela comparação, do grande e o pequeno, num constante jogo de anseios e espelhamentos. No micro e no macro, olha para as relações cotidianas e para o lugar do indivíduo no mundo. Sem obviedade, ou direcionamento, fala de reconhecimento e questiona identidade, colonização, imperialismo.

Tudo se passa em um bairro de pescadores de Niterói, de onde vem o título do filme, e onde Jonatan, ou MC Xerelete, vive com seu pai. Daquilo que se estabeleceu quando os portugueses vieram buscar o sonho dourado no Brasil com a crise no Além-Mar no início do século 20, pouca coisa ainda está de pé, mas há uma busca que está impregnada.

O “daqui” e o “de fora” pontuam a trama, enquanto o grande e o pequeno, também convertidos em novo e velho na relação de pai e filho, determinam a cadência do filme. É um lanche industrializado em uma praça de alimentação de qualquer shopping center que se mostra tão insignificante frente ao peixe “que eu mesmo pesquei” diante da paisagem ou uma seleção de emprego em um gigantesco estaleiro com roupas e gestos calculados frente à liberdade das rimas e batidas fortes do funk cantado para a galera no baile.

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Ao diretor Victor Quintanilha interessa observar e dar ao espectador a oportunidade de descobrir a interação do indivíduo com aquela realidade. Jonatan e Portugal Pequeno, Jonatan e seu pai, Jonatan e seus sonhos. Quando força suas comparações e, com sua câmera, opta por acompanhar a rotina de seu protagonista, vivido com muita competência por João Vitor Nascimento, confere naturalidade ao projeto. 

Assim, Portugal Pequeno é um filme que, apesar de sua simplicidade, alcança temas que podem parecer óbvios, mas têm muitas camadas a ser exploradas, e outros tantos que formam a base de nossas histórias e determinam aquilo que queremos ser ou somos induzidos a achar que é o interessante querer ser, mas nem sempre prestamos atenção, por maiores ou mais escancarados que sejam. 

Um grande momento
Peixe de verdade

A crítica viajou à 8ª Mostra de Cinema de Gostoso a convite do festival

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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