Crítica | FestivalMostra SP

Um Crime em Comum

O fantasma da culpa

(Un crimen común, ARG, 2020)

  • Gênero: Suspense
  • Direção: Francisco Márquez
  • Roteiro: Tomás Downey, Francisco Márquez
  • Elenco: Elisa Carricajo, Mecha Martinez, Eliot Otazo, Ciro Coien, Cecilia Rainero
  • Duração: 96 minutos
  • Nota:

Há filmes que ficam no meio do caminho. Um Crime em Comum, de Francisco Márquez é um desses. Com uma premissa interessante que abre espaço para o desenvolvimento de um ótimo thriller psicológico, o diretor não consegue decidir qual rumo tomar.

A ideia original do roteiro é destacar a questão social como ponto-chave da trama, mas, embora haja uma mínima preocupação na elaboração da relação entre Cecilia e Nebe, a participação e o background de Kevin são completamente nulos.

Um Crime em Comum

O mesmo se dá para outros personagens satélites que permeiam a trama que, diferente de Kevin, não têm nenhuma função narrativa a não ser exaltar a alteração da protagonista. As subtramas, como a reforma ou a promoção na universidade ou o projeto dos alunos e mesmo a relação com o filho pequeno não recebem muita atenção.

Se há algo bom em Um Crime em Comum é como Cecilia vai enlouquecendo por conta das consequências de sua atitude. Consumida pela culpa, ela começa a ser assombrada por um fantasma que ela não percebe ser ela mesma. É um jogo muito interessante esse que Márquez propõe de causar a tensão, verossímil, da assombração que vem de si mesmo.

Um Crime em Comum

Porém, infelizmente, Elisa Carricajo, embora tenha seus momentos, não consegue levar toda a complexidade de Cecilia. O enlouquecimento da personagem sofre com a falta de constância, escorregando por vezes em um certo exagero caricato. Falta uma direção mais segura e consciente ali.

Mas não é só isso. O maior problema de Um Crime em Comum é mesmo achar que só precisava se preocupar com um pedacinho de sua trama, sem ligar para todo o resto, como os outros personagens, outras interações, atuações e subtramas. É bem-intencionado, sem dúvida e parte de uma grande ideia, mas falta algo.

Um grande momento
Autorama

[44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
Botão Voltar ao topo