Crítica | Festival

Broadcast Signal Intrusion

Sinal interrompido

(Broadcast Signal Intrusion, EUA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Suspense
  • Direção: Jacob Gentry
  • Roteiro: Phil Drinkwater, Tim Woodall
  • Elenco: Harry Shum Jr., Kelley Mack, Chris Sullivan, Jennifer Jelsema, Arif Yampolsky, Justin Welborn, Michael B. Woods, Steve Pringle
  • Duração: 104 minutos

James é um técnico de audiovisual que trabalha com a catalogação de fitas de VHS no final dos anos 1990. No meio de algumas gravações, ele encontra transmissões sinistras e fica obcecado pelos ataques piratas por entender que eles podem ter alguma relação com o desaparecimento de sua namorada anos antes. Dirigido por Jacob Gentry, Broadcast Signal Intrusion é inspirado no curta homônimo da dupla Phil Drinkwater e Tim Woodall lançado em 2016.

O filme consegue traduzir essa atmosfera de culpa e luto que leva à obsessão e à loucura de seu protagonista, vivido por Harry Shum Jr.. É uma premissa interessante e há habilidade na recriação da ambientação da época e, mais importante, de um estilo, quando pega para si a estética e a aura dos thrillers oitentistas. Também funciona o modo como incorpora o subconsciente à trama.

É um bom começo, até mais misterioso e instigante do que o do curta que o inspira, e dá fôlego para que o filme segure o público para seguir a investigação, pelo menos boa parte dela. A repetição de cenas e a confusão das imagens são boas e levam a um lugar onde a repetição e uma certa falta de ousadia não permite que o espectador fique.

Broadcast Signal Intrusion tem momentos muito inspirados, principalmente quando brinca com a realidade e a existência de fatos e personagens, quando inverte tempos e mistura eventos. Em seu desfecho, porém, chega a um lugar de solução fácil e mal elaborada, e dedica boa parte de seu tempo a ela. Tudo aquilo que tinha desenvolvido de metafísico até então, como representação de consciência, torna-se muito físico. 

É um filme que, como a maioria daqueles que são adaptados de curtas-metragens, não consegue funcionar completamente. Começa muito bem e se perde, como se se transformasse em um outro filme. O engraçado é que o material de onde tirou a ideia tem muito mais a ver com o final do que com o começo, exatamente a parte do longa que deveria ter permanecido, ou pelo menos de onde deveria seguido a tendência.

Um grande momento
A ligação

[SXSW 2021 – Film Festival]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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